Produtores de leite do Sul de Minas Gerais estão enfrentando um cenário desafiador em 2026. Apesar da relevância da atividade para a economia regional, o valor pago pelo litro do leite voltou a cair, comprimindo as margens de lucro nas propriedades e dificultando novos investimentos.
Impacto direto na renda dos produtores
A fazenda da família de Arthur Lemos Piassi de Faria produz aproximadamente mil litros de leite por dia. Desse total, cerca de 400 litros são destinados à fabricação de queijos, enquanto o restante é vendido para um laticínio. Arthur acompanha diariamente a variação dos preços pagos ao produtor pelo celular. A diferença em relação ao ano passado é significativa: em 2025, ele chegou a receber R$ 3,20 por litro de leite. Atualmente, o valor pago é de R$ 2,70, uma queda de R$ 0,50 por litro que impacta diretamente a renda da propriedade.
"Quando vêm essas quedas, a gente acaba estabilizando um pouco os investimentos e procura manter o que já está sendo feito na fazenda. O foco passa a ser a eficiência, porque é ela que vai trazer resultado no final", afirma o produtor.
Dados do Cepea confirmam tendência de queda
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que, em Minas Gerais, o preço médio pago ao produtor foi de R$ 2,36 por litro entre janeiro e abril deste ano. No mesmo período de 2025, a média era de R$ 2,84, uma redução de R$ 0,48 por litro. Segundo Amilton José Alves da Silva, presidente da Associação dos Produtores de Leite do Sudoeste de Minas Gerais, a queda nos preços começou ainda no ano passado. Apesar de uma recuperação observada no início deste ano, os valores permanecem abaixo das expectativas do setor.
"Realmente é uma dificuldade, porque os custos tendem a permanecer ou até subir, enquanto o preço do leite oscila o tempo todo. Hoje as margens são baixas. Então se você tem um volume de produção baixo, logicamente a sua remuneração vai ser baixa também", explica o presidente. O representante do setor destaca ainda que os investimentos necessários para aumentar a produtividade seguem elevados. "Quando falamos em tecnologia aplicada à produção de leite, tudo é muito caro", acrescenta.
Consumidor sente o peso nos supermercados
Enquanto os produtores enfrentam queda na remuneração, os consumidores têm sentido o peso dos reajustes nas prateleiras. De acordo com Adriano Lúcio Júnior, gerente de supermercado, a caixa de leite mais barata comercializada no estabelecimento saltou de R$ 2,99 em fevereiro para R$ 4,78 nos últimos meses. "A gente trabalha com o estoque alto. O fornecedor só chega e fala que a próxima carga tem que vir outro valor, e não podemos ficar sem o produto. O leite representa muito em nossa categoria de venda de supermercado", relata o gerente.
O valor do leite pago ao pecuarista caiu R$ 0,48 nos primeiros quatro meses de 2026, segundo o Cepea. A situação preocupa os produtores, que buscam alternativas para manter a rentabilidade diante dos custos elevados e da volatilidade dos preços.



