Durante dois dias, a Vila de Joanes, no Marajó, foi palco da primeira edição do Festival Psica no Verão Amazônico, que atraiu cerca de 15 mil pessoas para dez shows gratuitos. O evento, que uniu artistas nacionais, mestres da cultura marajoara e nomes da nova cena amazônica, gerou um impacto econômico de aproximadamente R$ 3 milhões na região, com 120 empregos diretos e 300 indiretos.
Marajó no centro do palco
Na primeira noite, o destaque foi Mestre Zezinho, de Cachoeira do Arari, autor de "Invernada Marajoara". Ele emocionou o público ao lado do grupo Balanço de Maré, cantando canções que retratam a vida na ilha. "É um prazer imenso participar do Psica, um festival que valoriza o caboclo marajoara, o linguajar, as expressões e as estações bem definidas da região", afirmou o mestre. A abertura também contou com Tribo de Jah, DJ Cleide Roots e Layse & Lambada da Serpente.
Segundo dia: reencontros e protagonismo feminino
No segundo dia, Keila e DJ Pedrita, primeira mulher DJ de aparelhagem do Oeste do Pará, tocaram sucessos da Gang do Eletro. A banda pernambucana Mombojó, após mais de 15 anos sem se apresentar no Pará, fez um show emocionante, com o vocalista Felipe S sendo carregado pelo público. Fechando a programação, Duda Beat lotou a praia de Joanes, celebrando seu retorno ao estado.
Valorização da cultura amazônica
O festival reforçou o protagonismo de artistas amazônicos, com apresentações de Grupo Paracauari convida Mestra Jesus, Encanto Marajoara, Mega Pop Show, Rock dos Brabos, DJ Rafael Cassiano e DJ Pedrita. A estrutura do evento também refletiu essa valorização: o palco e o pórtico foram criados pelo coletivo Caroço, usando madeiras de embarcações recolhidas nas praias do Marajó. "Encontramos na praia de Joanes a beleza trazida pelas nossas marés. Transformar o que seria descarte em arte e em estilo de vida", disse o coletivo.
Impacto econômico e social
Além dos R$ 3 milhões injetados na economia local, o festival gerou 120 empregos diretos e 300 indiretos, beneficiando trabalhadores, fornecedores e empreendedores da região. Jeft Dias, diretor do Psica, destacou: "É um marco para a gente. Enquanto muita gente diz que está na hora de ir para o Rio ou São Paulo, nós fizemos o caminho contrário: voltamos para as nossas raízes. O festival é uma relação de troca e de afeto com esse território".



