Moedas sociais na Bahia: estratégia de desenvolvimento econômico local
Moedas sociais: desenvolvimento econômico na Bahia

Na Bahia, moedas sociais como Concha, Guaraná e Umoja ganham espaço como estratégia de desenvolvimento econômico local. Com circulação restrita, essas moedas são emitidas por bancos comunitários e têm paridade com o real, visando manter os recursos dentro do próprio território e reduzir a pobreza.

O que são moedas sociais?

As moedas sociais fazem parte da economia solidária, sendo geridas por bancos comunitários que oferecem microcrédito produtivo com juros baixos ou zero, baseados no aval solidário. O ciclo começa com a emissão da moeda pelo banco, que é distribuída via microcrédito, remuneração ou câmbio pelo real. A população utiliza a moeda em comércios locais cadastrados, e os estabelecimentos podem trocá-la por real ou reutilizá-la na comunidade.

Impacto na vida dos moradores

Antônia Correia, moradora da Ilha de Matarandiba, em Vera Cruz, usa a moeda Concha há pelo menos sete anos. "Eu sou uma pessoa beneficiária da moeda daqui de Matarandiba, e uso a Concha com muito prazer e com muito orgulho porque me ajudou muito na minha vida. Nas horas que eu mais precisei, eu achei o apoio, a ajuda, a compreensão e me fez muito, muito bem", conta. Ela afirma que o microcrédito e a aceitação da moeda em lojas de material de construção foram decisivos para reformar sua casa.

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Autonomia local e fortalecimento do comércio

O superintendente de Economia Solidária e Cooperativismo da Setre-BA, José Paulo Crisóstomo, explica que as moedas sociais evitam a fuga de recursos do município. "Uma importância dessa moeda social é que ela evita a fuga do recurso do município. Com isso, gera a oportunidade de trabalho e renda, porque se o comércio está vendendo mais, vai precisar de mais gente, vai estar vendendo e produzindo mais", pontua. A implantação de moedas sociais também gera senso de pertencimento, com nomes que refletem a identidade cultural da região.

Exemplos de moedas sociais na Bahia

Conheça algumas moedas baianas: em Queimadas, a moeda Itapicuru será lançada em 2025, exclusivamente digital, para programas sociais. No bairro do Uruguai, em Salvador, circula a Umoja (que significa unidade em swahili), aceita em mais de 50 estabelecimentos. Em Cardeal da Silva, a moeda Mineral homenageia o Balneário da Mineral. Em Santa Bárbara, a Pacatu foi lançada em dezembro de 2025. Em Taperoá, o Guaraná foi criado em 2023. E em Matarandiba, a Concha existe desde 2008.

Bancos comunitários como alternativa à exclusão financeira

Entre 2015 e 2025, o Brasil perdeu 32,9% das agências bancárias físicas, e 43,57% dos municípios não têm nenhuma agência, segundo a Setre. Os bancos comunitários e moedas sociais surgem como alternativa para inclusão financeira, oferecendo serviços como microcrédito e moeda digital. Na Bahia, oito bancos comunitários já estão ativos.

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