Como transportadoras podem evitar diesel adulterado?
Como evitar diesel adulterado em transportadoras

O diesel representa uma das principais despesas das transportadoras brasileiras, podendo ultrapassar um terço dos custos operacionais. Segundo a NTC&Logística, o combustível responde, em média, por cerca de 35% desses custos, e em algumas operações pode superar 50%. O risco de abastecimento com produto adulterado é mais comum do que muitos gestores imaginam.

Fiscalização da ANP em maio de 2026

Entre os dias 18 e 29 de maio de 2026, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) fiscalizou o mercado de abastecimento em 18 unidades da Federação. Foram lavrados dezenas de autos de infração, centenas de amostras coletadas para análise laboratorial e apreensões de combustível em diferentes estados. Destaque para a Operação Fluxo Oculto, baseada em relatórios investigativos da ANP, que combateu lavagem de dinheiro e desvio de nafta — solvente usado para adulterar combustíveis — em São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Direito de testar antes de abastecer

Pouco conhecido, o consumidor pode solicitar testes de qualidade diretamente no posto antes de abastecer. O procedimento é obrigatório por lei e deve ser feito na presença do cliente, com combustível retirado da própria bomba. Todo posto é obrigado a manter os materiais para testes básicos, independentemente de ser bandeirado ou bandeira branca. O “teste da proveta” verifica o teor de etanol na gasolina; também são feitas análises visuais de coloração e aspecto, além de testes de densidade no etanol e no diesel. No etanol, a legislação define percentuais mínimos e máximos permitidos — qualquer alteração fora desses limites é irregularidade.

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“Apesar de simples, os testes seguem padrões técnicos rigorosos e continuam sendo os métodos mais confiáveis para identificar problemas na qualidade do combustível”, segundo material da Royal FIC, distribuidora de combustíveis com atuação no Brasil.

Documentação exigida dos fornecedores

Além dos testes, distribuidoras emitem boletins de conformidade que acompanham o combustível até o cliente final. Esses registros permitem rastrear o produto desde sua origem e demonstram que ele passou pelos controles exigidos. Segundo a Royal FIC, a rastreabilidade e os sistemas automatizados de mistura ganharam espaço, aumentando o controle sobre a composição dos combustíveis. Empresas com contratos recorrentes de abastecimento podem usar a documentação como respaldo em questionamentos futuros.

Análises laboratoriais para frotas maiores

Empresas com frotas maiores costumam adotar programas periódicos de coleta de amostras para análise em laboratório. Esses exames identificam contaminação por água, degradação durante o armazenamento e outros problemas imperceptíveis visualmente. A Royal FIC aponta que distribuidoras realizam análises periódicas nos tanques e carregamentos como controle interno, antes mesmo da entrega ao cliente. A prática é comum entre transportadoras com tanques próprios, mas também serve para auditorias pontuais quando há suspeitas de alteração na qualidade do diesel.

Armazenamento também merece atenção

Nem sempre os problemas estão na distribuidora ou no posto. Tanques mal conservados, infiltração de água, excesso de tempo de armazenamento e falta de limpeza periódica podem comprometer o combustível dentro da própria empresa. Recomenda-se inspeções regulares dos reservatórios, monitoramento das condições de armazenamento e controle do giro dos estoques.

Ao avaliar fornecedores, muitas empresas focam apenas no preço. No entanto, gestores de frota vêm ampliando o foco para incluir rastreabilidade, documentação, histórico e monitoramento da qualidade.

Penalidades e canais de denúncia

Os estabelecimentos autuados pela ANP estão sujeitos a multas de R$ 5 mil a R$ 5 milhões, além de suspensão e revogação de autorização. A interdição cautelar impede a comercialização de combustíveis fora das especificações até a regularização. Consumidores e empresas podem denunciar irregularidades pelo telefone 0800 970 0267 (ligação gratuita) ou pelo formulário no site da ANP.

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