China reconhece Brasil como território livre de febre aftosa
China reconhece Brasil livre de aftosa

A China reconheceu oficialmente o Brasil como território livre de febre aftosa, uma decisão que promete impulsionar significativamente as exportações de carne bovina brasileira para o mercado chinês. O anúncio foi feito nesta quarta-feira pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que destacou a importância do reconhecimento para a pecuária nacional.

Impacto nas exportações

Com o reconhecimento, o Brasil passa a integrar a lista de países considerados livres da doença sem vacinação, o que elimina barreiras sanitárias e facilita o comércio de carne bovina in natura. A China é o maior importador de carne bovina do mundo e um dos principais parceiros comerciais do Brasil no setor. Em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina para o país asiático somaram US$ 8,5 bilhões, representando cerca de 40% do total vendido pelo Brasil no mercado internacional.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, comemorou a decisão e afirmou que o reconhecimento é resultado de anos de trabalho técnico e diplomático. "É uma vitória da ciência e da dedicação dos nossos pecuaristas e profissionais de defesa sanitária. Isso abre novas oportunidades e fortalece a confiança dos consumidores chineses na qualidade da nossa carne", declarou.

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Processo de reconhecimento

O processo para obtenção do reconhecimento envolveu auditorias e inspeções realizadas por autoridades sanitárias chinesas em propriedades rurais, frigoríficos e laboratórios brasileiros. O Brasil já havia recebido o status de livre de febre aftosa com vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) em 2018, mas a China exigia garantias adicionais para conceder o reconhecimento sem vacinação.

Entre os requisitos cumpridos pelo Brasil estão a manutenção de um sistema de vigilância epidemiológica robusto, a ausência de focos da doença nos últimos anos e a implementação de medidas de biossegurança em todo o território nacional. O país também investiu em campanhas de vacinação e na modernização de seus laboratórios de diagnóstico.

Benefícios para o agronegócio

A decisão chinesa é vista como um impulso para o agronegócio brasileiro, que enfrenta desafios como custos elevados e concorrência internacional. A expectativa é de que as exportações de carne bovina cresçam entre 15% e 20% nos próximos meses, gerando mais empregos e renda no campo. Além disso, o reconhecimento pode abrir portas para outros mercados asiáticos, como Japão e Coreia do Sul, que também exigem status sanitário elevado.

Entidades do setor, como a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), elogiaram a medida. "É um marco para a pecuária brasileira. Mostra que o Brasil é um fornecedor confiável e seguro de proteína animal", afirmou o presidente da Abiec, Antônio Jorge Camardelli.

Próximos passos

O governo brasileiro agora trabalha para ampliar o número de frigoríficos habilitados a exportar para a China. Atualmente, cerca de 50 plantas estão autorizadas, mas a meta é chegar a 80 unidades nos próximos meses. O Ministério da Agricultura também planeja intensificar as ações de fiscalização e prevenção para manter o status sanitário conquistado.

Para os pecuaristas, o reconhecimento representa uma oportunidade de aumentar a rentabilidade e investir em tecnologia e sustentabilidade. A tendência é de que haja uma valorização do preço da arroba do boi gordo no mercado interno, refletindo a demanda externa aquecida.

Contexto global

A febre aftosa é uma doença viral altamente contagiosa que afeta bovinos, suínos e outros animais de casco fendido. Países livres da doença sem vacinação são considerados de baixo risco sanitário e têm vantagens competitivas no comércio internacional de carnes. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de carne bovina, com um rebanho estimado em 220 milhões de cabeças.

O reconhecimento pela China também fortalece a relação bilateral entre os dois países, que já são parceiros estratégicos em diversas áreas. A expectativa é de que novos acordos comerciais sejam firmados nos próximos meses, beneficiando outros setores do agronegócio brasileiro, como o de frango e suínos.

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