A agricultura brasileira desempenha um papel central no debate sobre as emissões de metano no país, um dos gases de efeito estufa mais potentes. De acordo com dados recentes, o setor agropecuário é responsável por cerca de 70% das emissões de metano no Brasil, principalmente devido à pecuária e ao cultivo de arroz irrigado.
Pecuária como principal fonte
A pecuária, especialmente a criação de gado de corte, é a maior fonte de metano, emitido através da fermentação entérica e do manejo de dejetos. O Brasil possui o maior rebanho bovino comercial do mundo, com aproximadamente 225 milhões de cabeças. Isso coloca o país como um dos maiores emissores de metano do planeta, gerando pressão internacional para a adoção de práticas mais sustentáveis.
Estima-se que a fermentação entérica (processo digestivo dos ruminantes) seja responsável por mais de 80% das emissões de metano da pecuária brasileira. O restante vem do manejo de dejetos, que também libera óxido nitroso e amônia. O governo brasileiro tem buscado alternativas, como a melhoria da dieta animal e o uso de suplementos alimentares que reduzem a produção de metano.
Arroz irrigado e outras fontes
O cultivo de arroz irrigado é outra fonte significativa, contribuindo com cerca de 10% das emissões de metano do setor agrícola. As áreas alagadas criam condições anaeróbicas que favorecem a produção de metano por bactérias. Técnicas como o manejo alternativo da água e a escolha de variedades de arroz com menor emissão estão sendo estudadas para mitigar esse impacto.
Além disso, a queima de resíduos agrícolas e o uso de fertilizantes nitrogenados também contribuem para as emissões de gases de efeito estufa, embora em menor escala. O Brasil tem se comprometido com metas de redução de emissões no âmbito do Acordo de Paris, e o setor agrícola é visto como chave para alcançar esses objetivos.
Debate e perspectivas
O debate sobre as emissões de metano na agricultura brasileira envolve não apenas questões ambientais, mas também econômicas e sociais. O agronegócio é um dos pilares da economia do país, responsável por cerca de 25% do PIB e por milhões de empregos. Qualquer medida de mitigação precisa considerar a viabilidade econômica e a segurança alimentar.
Especialistas apontam que o Brasil tem grande potencial para reduzir suas emissões de metano por meio de práticas como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), que sequestra carbono e melhora a produtividade. Outras iniciativas incluem a recuperação de pastagens degradadas e o uso de biofertilizantes.
Organizações não governamentais e institutos de pesquisa têm pressionado por políticas mais ambiciosas, enquanto o governo busca equilibrar desenvolvimento econômico e sustentabilidade. O próximo inventário nacional de emissões, previsto para 2027, deverá trazer dados mais precisos sobre o progresso do país nessa área.
Em resumo, a agricultura brasileira está no centro do debate sobre as emissões de metano, com desafios e oportunidades para reduzir seu impacto ambiental sem comprometer sua importância econômica. A busca por soluções inovadoras e sustentáveis continua sendo uma prioridade para o setor e para o país como um todo.



