Cafeicultura acreana em expansão
O 2º Seminário Estadual da Cafeicultura ocorreu nesta quarta-feira (22), em Rio Branco, reunindo produtores rurais, pesquisadores, estudantes e representantes de instituições para debater o crescimento da produção de café no Acre e as perspectivas para fortalecer a cadeia produtiva. Temas como manejo das lavouras, cooperativismo, acesso a mercados, exportação, crédito rural e inovação tecnológica foram discutidos no evento, que destaca o setor como cada vez mais relevante no agronegócio acreano.
Recorde nacional e crescimento local
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra brasileira de café deve ultrapassar 66 milhões de sacas em 2026, volume que pode representar um novo recorde para a cafeicultura do país. No Acre, a produção também segue em expansão, saltando de 6.632 mil toneladas em 2025 para 6.969 mil toneladas em 2026, um aumento de aproximadamente 5%. O crescimento é puxado principalmente pelos pequenos produtores: segundo o Sebrae, 83% dos cafeicultores acreanos trabalham em propriedades com menos de 20 hectares, evidenciando a importância da atividade para a agricultura familiar.
Depoimento de produtora
A produtora Jackeline Lara, de Acrelândia – município do interior do Acre que está entre os maiores produtores de café do estado – é um exemplo desse perfil. Filha de cafeicultor, ela contou que dar continuidade ao trabalho iniciado pela família é um desafio diário. "Permanecer é muito mais difícil do que produzir o café. A mão de obra, a própria sucessão familiar. Eu, como filha de produtor, que nasci debaixo do pé de café praticamente, continuar na propriedade e dar segmento àquele trabalho que o meu pai estava fazendo é muito importante para mim", disse.
Objetivo do seminário
A coordenadora de Negócios do Sebrae no Acre, Rina Suarez, explicou que o principal objetivo do encontro foi levar conhecimento para fortalecer a cadeia produtiva no estado. "O nosso objetivo principal é trazer conhecimento para esses produtores, para as pessoas interessadas que tenham vontade de entrar na atividade também. Então, é uma série de conhecimentos que a gente vem trazendo para o público, com vários temas, mercado, perspectivas de comercialização e exportação também", afirmou.
Tecnologia e produtividade
O evento também contou com a apresentação de pesquisas voltadas ao melhoramento da produção. O consultor em cafeicultura Marcos Santana apresentou os resultados de quatro anos de estudos sobre a clonagem de café, técnica utilizada para reproduzir plantas com características superiores. Segundo ele, a tecnologia permite selecionar materiais mais produtivos e resistentes às condições do campo. "Os produtores terão informações acerca de clones que têm maior potencial para a qualidade de bebida, clones que são mais resistentes ao ataque de pragas e doenças, clones que são mais produtivos, entre outras informações importantes para o produtor utilizar no dia a dia na sua lavoura", detalhou.
Qualidade e sustentabilidade
Além da inovação tecnológica, a programação do seminário também abordou temas como licenciamento ambiental, acesso ao crédito rural, comercialização e cultivo sem o uso de agrotóxicos. Para a chefe do Núcleo de Cafeicultura da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), Michelma Lima, investir em qualidade fortalece toda a cadeia produtiva. "Ganha o produtor por ter reconhecimento do seu trabalho, ganha o consumidor porque hoje ele quer entender de onde vem esse café, quem produz, como é feito. Então, toda a cadeia produtiva sai ganhando", afirmou.



