O presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, declarou que o setor é contrário à aplicação da lei da reciprocidade, instrumento que permite ao Brasil retaliar barreiras comerciais impostas por outros países. A declaração foi feita durante evento do setor, nesta terça-feira.
Posição contrária à reciprocidade
Segundo Velloso, a lei da reciprocidade, sancionada em 2023, pode gerar retaliações contra produtos brasileiros e prejudicar a competitividade da indústria nacional. "Somos contra a aplicação dessa lei porque ela pode trazer mais prejuízos do que benefícios para o setor de máquinas e equipamentos", afirmou.
O executivo destacou que o Brasil precisa de medidas que estimulem a competitividade, não de ações que possam desencadear guerras comerciais. "A indústria brasileira já enfrenta desafios enormes, como custos elevados e burocracia. Precisamos de políticas que nos tornem mais competitivos, não de instrumentos que possam fechar mercados", completou.
Impactos na indústria
A Abimaq representa cerca de 1.300 empresas do setor de máquinas e equipamentos, que empregam aproximadamente 300 mil trabalhadores. Velloso alertou que a aplicação da lei da reciprocidade poderia afetar negativamente as exportações brasileiras, especialmente para países como Estados Unidos e China, que são importantes parceiros comerciais.
"Se retaliarmos, podemos sofrer retaliações ainda maiores. Isso afetaria diretamente nossas exportações, que já são modestas em comparação com outros países", explicou. O setor de máquinas e equipamentos exportou US$ 8,5 bilhões em 2025, segundo dados da associação.
Defesa de acordos multilaterais
O presidente da Abimaq defendeu a negociação de acordos multilaterais como forma de resolver disputas comerciais. "Acreditamos no diálogo e na busca de soluções negociadas, não em medidas unilaterais que podem escalar para conflitos comerciais", disse.
Velloso também criticou a falta de uma política industrial clara no Brasil. "Precisamos de uma estratégia de desenvolvimento industrial que incentive a inovação e a competitividade, e não de medidas paliativas que podem ter efeitos colaterais", concluiu.



