Sobrevivente de feminicídio perde formatura e vive com medo no PR
Sobrevivente de feminicídio perde formatura e vive com medo

Sayonara da Silva, sobrevivente de uma tentativa de feminicídio ocorrida em fevereiro deste ano em Apucarana, no Norte do Paraná, teve a vida profundamente impactada nos últimos quatro meses. Durante esse período, o ex-marido dela, Ademar Augusto Crepe, de 58 anos, permanece foragido, e a vítima relata uma rotina de privações e medo.

Carta à formatura

No mesmo mês do crime, Sayonara escreveu uma carta para ser lida durante sua formatura no curso de Administração da Universidade Estadual do Paraná (Unespar). Ela não pôde comparecer porque estava escondida, temendo pela própria segurança. A cerimônia ocorreu sem sua presença física, mas suas palavras foram compartilhadas com os colegas.

Impacto na vida da vítima

Em entrevista ao g1 na terça-feira (16), Sayonara descreveu como sua vida mudou drasticamente. Ao mudar de endereço para se proteger, precisou se adaptar a uma rotina cheia de restrições. Perdeu o emprego, a autonomia e o direito de ir e vir, já que o agressor ainda não foi localizado.

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“Hoje, muitas atividades simples do dia a dia se tornaram difíceis ou exigem adaptações constantes. Acima de tudo, sinto falta da sensação de segurança, paz e normalidade que eu tinha antes, e que foram profundamente afetadas pelas consequências da violência que sofri”, disse.

O crime

O ataque ocorreu em 10 de fevereiro. Segundo a Polícia Civil, Sayonara dirigia seu carro quando foi interceptada e atingida por uma caminhonete. Com o impacto, o veículo em que ela estava com o filho foi jogado contra um poste de iluminação pública, e a estrutura de concreto caiu sobre o carro. Testemunhas afirmaram que Ademar estava ao volante da caminhonete.

“Relatou ainda que, na sequência, o autor apontou uma arma de fogo em sua direção, ameaçando matá-la, e que, segundo seu relato, o autor chegou a acionar o gatilho de um revólver, porém, por motivos alheios, não houve disparo”, consta no boletim de ocorrência. Após a tentativa, Ademar fugiu do local. Sayonara e o filho receberam atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Apucarana.

Investigação e foragido

A Polícia Civil solicitou a prisão preventiva de Ademar no dia 12 de fevereiro, aceita pela Justiça, mas ele não foi encontrado desde então. A delegada Luana Lopes informou que o inquérito continua aberto. O g1 tenta identificar a defesa do homem.

Apoio e alerta

Em março, quando o caso veio a público, o g1 conversou com a promotora Mariana Bazzo e com o Observatório de Feminicídios Londrina (Néias). Ambos destacaram que vítimas de tentativa de feminicídio vivem em estado de alerta constante. Além do medo, Sayonara perdeu bens materiais, como o carro destruído no ataque, e hoje não possui outro veículo.

Mesmo em meio ao trauma, a vítima enfatiza a importância de denunciar e buscar ajuda em contextos de violência doméstica. “Eu gostaria que nenhuma mulher precisasse passar pelo que eu passei para entender que sua vida vale mais do que qualquer medo. Denunciar pode ser difícil, mas permanecer em silêncio pode custar muito mais”, disse ao g1.

Feminicídios no Paraná

Segundo o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), o Paraná registrou 87 feminicídios em 2025. Em 2024, 109 mulheres foram assassinadas em crimes de violência doméstica e ódio ao gênero feminino. A Central de Atendimento à Mulher funciona 24 horas pelo telefone 180.

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