Um homem no Reino Unido confessou 32 crimes sexuais contra sua namorada, que estava dopada ou dormindo durante os abusos, ocorridos ao longo de mais de uma década. O caso, que chocou o país, tem paralelos com o da francesa Gisèle Pelicot e pode resultar em prisão perpétua.
Detalhes do crime e confissão
O réu, cujo nome não foi divulgado para proteger a identidade da vítima, compareceu ao Tribunal da Coroa, do Condado e da Família de Northampton e se declarou culpado de todas as 32 acusações. Os crimes incluem estupro, agressão sexual e produção de material de abuso sexual infantil. A vítima, sua parceira, estava inconsciente devido ao consumo de álcool ou drogas durante os ataques.
De acordo com a promotoria, os abusos ocorreram entre 2013 e 2024, em diversas residências do casal. O homem filmava os atos e armazenava as imagens em dispositivos eletrônicos, que foram apreendidos pela polícia.
Comparação com o caso Gisèle Pelicot
O juiz responsável pelo caso destacou a semelhança com o escândalo francês envolvendo Gisèle Pelicot, que foi drogada pelo marido e estuprada por dezenas de homens enquanto estava inconsciente. "Este é um caso de extrema gravidade, com características que lembram o que vimos na França", afirmou o magistrado durante a audiência.
A defesa do réu pediu que o tribunal considere a confissão como atenuante. No entanto, o juiz sinalizou que a sentença será longa, possivelmente prisão perpétua, e marcou a decisão para 18 de setembro.
Investigações em andamento
A polícia britânica informou que investigações semelhantes estão em andamento em outras regiões do país, indicando que o caso pode fazer parte de um padrão mais amplo de abusos envolvendo substâncias. "Estamos trabalhando com outras forças para identificar possíveis vítimas e responsabilizar os agressores", disse um porta-voz da polícia de Northamptonshire.
Organizações de defesa dos direitos das mulheres elogiaram a confissão e a celeridade do processo, mas alertaram para a necessidade de mais apoio às vítimas de violência sexual. "Muitas mulheres sofrem em silêncio por anos. Este caso mostra que a justiça pode ser alcançada", declarou representante de uma ONG local.
O julgamento está previsto para setembro, quando o juiz definirá a pena. Até lá, o réu permanecerá sob custódia.



