Detentos de PE usam 'golpe do amor' para extorquir vítimas no DF
Detentos de PE usam 'golpe do amor' para extorquir vítimas

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou a Operação Tróia para desarticular uma quadrilha que, de dentro do Presídio de Igarassu (PIG), em Pernambuco, aplicava o chamado 'golpe do amor' combinado com ameaças de facção criminosa. Dois detentos criavam perfis falsos em aplicativos de relacionamento para atrair vítimas e, em seguida, um comparsa as ameaçava exigindo transferências bancárias.

Como funcionava o golpe

De acordo com a investigação, o esquema começou a ser investigado após um morador do Riacho Fundo, no Distrito Federal, denunciar que passou a receber ameaças depois de conversar com uma mulher que conheceu em um aplicativo de relacionamentos. Após a troca de mensagens, um homem entrava em contato com a vítima dizendo integrar uma facção criminosa. O criminoso afirmava que a mulher era casada com um dos chefes do grupo e exigia transferências bancárias para que a vítima e seus familiares não fossem mortos.

Ligações de dentro do presídio

O delegado Tell Marzal afirmou que as ligações eram feitas de dentro do Presídio de Igarassu, onde os investigados já cumpriam pena por outros crimes. 'O golpe consistia em criar perfis falsos na internet e em sites de relacionamento e, após conseguir o contato das vítimas, um terceiro interlocutor de dentro do presídio exigia valores passando por faccionado. Ele exigia que se fizesse transferências, ou, em caso contrário, iria executar a família da vítima', declarou o delegado.

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Operação Tróia

Batizada de Operação Tróia, a ação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em Pernambuco, sendo dois em celas do Presídio de Igarassu e outros três nas cidades de Olinda e Paulista, no Grande Recife, e em Tracunhaém, na Zona da Mata. Foram apreendidos celulares, computadores e outras mídias digitais que passarão por perícias. De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização de Pernambuco (Seap), policiais penais de Pernambuco ajudaram na identificação de dois detentos. Um deles ainda estava preso no Presídio de Igarassu, e o outro, que também esteve em cárcere na unidade, tinha recebido alvará de soltura.

Organização e lavagem de dinheiro

Ainda segundo o delegado Tell Marzal, o grupo era organizado e tinha divisão de tarefas. Enquanto alguns integrantes criavam perfis falsos de mulheres em aplicativos de relacionamento e redes sociais, outros mantinham contato com as vítimas para obter informações pessoais que depois eram usadas nas ameaças. Após os pagamentos, o dinheiro era enviado para contas de 'laranjas' e sacado por um núcleo financeiro externo ao presídio, com a participação de três mulheres investigadas por lavar os valores obtidos com os golpes. Os recursos eram distribuídos entre diversas contas bancárias antes do saque final, para dificultar o rastreamento.

Penas podem chegar a 20 anos

Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, os investigados poderão responder pelos crimes de extorsão cibernética, associação criminosa e lavagem de dinheiro, cujas penas somadas podem chegar a 20 anos de prisão.

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