Os corpos dos três funcionários mortos durante um ataque com faca dentro da fábrica da Bombril, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, serão sepultados neste domingo, 2, em cemitérios da cidade. As vítimas, todas trabalhadoras da empresa terceirizada TPC, foram atacadas por um colega de trabalho, Claudio Henrique da Silva, de 33 anos, também operador de empilhadeira e funcionário da TPC, na manhã de sábado, 1º, dentro da unidade localizada na Avenida Marginal Direita da Anchieta, no bairro Rudge Ramos. O suspeito dos crimes se matou após ser preso, segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP).
As vítimas e os sepultamentos
José Guilherme Victoriano de Moura, de 54 anos, conferente, foi a primeira vítima. Seu corpo foi velado no Cemitério Municipal do Carminha, em São Bernardo do Campo, onde também ocorreu o sepultamento. Douglas de Souza Vieira, de 39 anos, operador de empilhadeira, teve velório e sepultamento realizados no mesmo cemitério. Edvaldo Santos da Silva, de 44 anos, supervisor, está sendo velado no Cemitério Jardim da Colina, também em São Bernardo do Campo, com sepultamento marcado para as 16 horas.
De acordo com a reportagem, não foi possível contatar a família do suspeito. As três vítimas eram empregados da TPC, empresa que presta serviços para a Bombril.
O ataque na fábrica
O caso aconteceu por volta das 6 horas da manhã, no interior da fábrica, que fica às margens da Rodovia Anchieta. A Polícia Militar foi acionada após uma denúncia de ataque com faca. Quando os agentes chegaram ao local, encontraram os três funcionários já mortos e o suspeito rendido por outras pessoas que estavam na unidade.
Segundo o boletim de ocorrência, os policiais apreenderam duas facas que estavam com o agressor. O Samu foi chamado e confirmou que as três vítimas morreram no local. O suspeito, que portava as armas brancas, não resistiu à prisão e se entregou sem tentativa de fuga.
Testemunhas relataram que Claudio estava de folga naquele dia, mas foi até a fábrica com a intenção de atacar os colegas. Os depoimentos apontam que Douglas de Souza Vieira foi atingido ao tentar impedir o ataque contra os outros funcionários. Já Edvaldo Santos da Silva, que havia retornado de férias, tentou intervir usando uma cadeira para desarmar o agressor, mas não conseguiu e acabou se tornando a terceira vítima.
Bullying e motivação do crime
De acordo com relatos de testemunhas, o suspeito possivelmente era alvo de bullying praticado por duas das vítimas. Essa versão, no entanto, ainda será investigada, conforme a SSP. Os depoimentos também ajudarão a esclarecer se havia conflitos anteriores entre o agressor e os colegas.
O primeiro a ser atacado foi José Guilherme de Moura, encontrado caído na porta do banheiro. O corpo de Douglas foi localizado próximo a uma escada; ferido, ele teria tentado correr do agressor. Depois dos ataques, Claudio teria procurado uma quarta pessoa, mas não a encontrou. Ele não fugiu e esperou pela chegada da Polícia Militar.
Suspeito se mata dentro da delegacia
Segundo a SSP, após ser contido, Claudio foi levado ao 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo, onde permaneceu preso em flagrante. Já detido, atentou contra a própria vida. O Samu foi acionado e confirmou a morte. A Corregedoria da Polícia Civil investiga as circunstâncias do suicídio dentro da unidade policial.
O agressor foi descrito nos depoimentos como um homem quieto, introspectivo e assíduo no trabalho. O caso foi registrado como homicídio e suicídio. A investigação está a cargo da equipe de homicídios da Delegacia de Investigações Criminais (DEIC) de São Bernardo do Campo.
Posicionamento das empresas
A Bombril afirma que acompanha a atuação da TPC junto às famílias das vítimas para oferecer assistência e acolhimento necessários. Em comunicado, a empresa diz manter um canal de ética para denúncias de bullying, assédio e outras condutas inadequadas envolvendo funcionários próprios e terceirizados. Também oferece acompanhamento psicológico e médico aos trabalhadores, além de treinamentos sobre boas práticas no ambiente de trabalho.
A TPC informou que colabora com a investigação dos fatos, apura internamente o ocorrido e presta apoio aos familiares das vítimas.
Onde buscar ajuda
Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja abaixo onde encontrar ajuda:
- Centro de Valorização da Vida (CVV): serviço gratuito de apoio emocional, com atendimento 24 horas por dia por e-mail, chat no site ou telefone 188.
- SUS: os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde voltadas para pacientes com transtornos mentais. Há unidades específicas para crianças e adolescentes. Na cidade de São Paulo, são 33 Caps Infantojuventis; endereços podem ser consultados em página oficial.
- Mapa da Saúde Mental: site traz mapas com unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online, além de materiais de orientação sobre transtornos mentais.



