O Metrô de São Paulo espera entregar até 2034 a expansão completa da Linha 17-Ouro, o monotrilho que conecta o Aeroporto de Congonhas às Linhas 1-Azul (Estação Jabaquara) e 4-Amarela (São Paulo-Morumbi). O projeto original, com 18 estações, deveria ter sido concluído em 2013 para a Copa do Mundo de 2014, mas foi reduzido para oito paradas após atrasos e problemas contratuais. O monotrilho foi inaugurado em março com sete estações; a oitava foi entregue na semana passada. Atualmente, opera em fase de testes, das 9h às 16h, de segunda a sexta-feira.
Expansão em duas fases
O diretor de Engenharia e Planejamento do Metrô, Roberto Torres Rodrigues, afirmou que o itinerário completo da Linha 17 segue nos planos da companhia. A estatal dividiu a expansão em duas etapas: a fase dois inclui as estações Panamby, Paraisópolis, Américo Maurano e Vila Paulista (quatro estações); a fase três abrange Estádio Morumbi, São Paulo-Morumbi, Vila Babilônia, Cidade Leonor, Hospital Sabóia e Jabaquara (seis estações).
Licitação e cronograma
No próximo dia 14, o governo realizará a licitação para contratar a adequação do projeto original das estações da fase dois e a elaboração do projeto executivo. Esse ajuste é necessário devido à defasagem de mais de uma década no desenho da linha e deve levar dois anos. Após isso, a licitação para construção está prevista para 2028, com início das obras em 2029, se não houver imprevistos. O empreendimento deve ser concluído em três anos. “A ideia é entrar em operação em 2032”, disse Rodrigues.
Fase três concomitante
Enquanto as obras da fase dois ocorrerem, o Metrô pretende já iniciar a contratação do projeto executivo e das obras da fase três. “Não vou esperar terminar o trecho dois para iniciar a licitação, projeto executivo e obras do outro trecho. Isso vai acontecer concomitantemente”, afirmou o diretor. A expectativa é entregar a fase três até 2034, levando o monotrilho ao entorno do Estádio Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi), promessa original que deveria ter sido cumprida antes da Copa de 2014. Atualmente, a estação mais próxima é a São Paulo-Morumbi (Linha 4-Amarela), a cerca de 1,5 km do estádio, o que demanda 20 minutos de caminhada ou 10 minutos de carro.
Histórico de atrasos e desafios
O monotrilho foi anunciado em janeiro de 2010. A organização da Copa do Mundo trocou o Morumbi pelo Estádio do Corinthians, em Itaquera, e as obras perderam financiamento federal. Em 2014, as construtoras Odebrecht e Andrade Gutierrez foram atingidas pela Operação Lava Jato. O Metrô rescindiu o contrato em 2016, e a obra parou por anos. O projeto foi retomado em 2020, mas passou por novas trocas de empresas e paralisações. “Tivemos problemas com várias contratadas e superamos esses desafios”, disse Rodrigues.
Custos e operação
Em 2010, o projeto de 18 estações era orçado em R$ 2,9 bilhões (cerca de R$ 7,1 bilhões corrigidos pela inflação), divididos entre governos federal, estadual e municipal. O custo total da primeira etapa ficou em R$ 5,97 bilhões, valor que inclui estruturas futuras e despesas de contratos paralisados. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem usado a entrega do primeiro trecho como contraponto às gestões passadas, afirmando que “obra parada é desperdício de dinheiro público”. Ele também admitiu desafios e pretende rever o contrato com a concessionária Motiva, responsável pela operação após os testes. A avaliação é de que o monotrilho será deficitário, com custos operacionais superiores à receita com passagens (R$ 5,40). Tarcísio sugeriu retirar a Linha 17 do contrato para que a sobra seja usada na melhoria de outras linhas concedidas, como a 8-Diamante, 9-Esmeralda, 4-Amarela e 5-Lilás. A medida depende do interesse da empresa e não há prazo para decisão. Em nota, a Motiva informou que acompanha as manifestações do governo e reconhece o interesse demonstrado.



