Quinze anos após uma das maiores tragédias climáticas do Brasil, famílias de Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, continuam aguardando a entrega de moradias prometidas. O condomínio Ermitage II, parte do projeto habitacional iniciado em 2011 para abrigar vítimas das chuvas, teve seu prazo de conclusão adiado para 2027. O contrato original, firmado em R$ 97 milhões, sofreu sucessivos reajustes e é alvo de investigação por suspeitas de irregularidades.
Tragédia de 2011 e a promessa de moradia
As chuvas de janeiro de 2011 na Região Serrana fluminense causaram mais de 900 mortes, sendo uma das maiores catástrofes naturais do país. Em Teresópolis, centenas de famílias perderam suas casas. Como resposta, o governo estadual lançou o programa de reconstrução habitacional, incluindo a construção do condomínio Ermitage II, que deveria abrigar as famílias desabrigadas.
No entanto, a entrega das unidades, prevista inicialmente para 2014, foi sucessivamente postergada. Atualmente, a previsão é que a maioria das casas seja concluída apenas em 2027, segundo informações do governo do estado.
Reajustes contratuais e investigação
O contrato com a construtora R2X, responsável pela obra, começou em R$ 97 milhões e já passou por vários reajustes, ultrapassando R$ 150 milhões. Os aditivos contratuais e os atrasos levaram o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) a abrir uma investigação para apurar possíveis irregularidades, como superfaturamento e descumprimento de prazos.
Em nota, a R2X alegou que as dificuldades para cumprir o cronograma e os custos se devem a fatores como a complexidade da obra, a necessidade de adequações técnicas e a instabilidade econômica do país. A empresa afirmou estar comprometida com a conclusão do empreendimento.
Situação das famílias afetadas
Enquanto aguardam, muitas famílias vivem em aluguel social pago pelo governo, que custa aos cofres públicos cerca de R$ 800 por mês por família. Outras permanecem em casas de parentes ou em áreas de risco. A demora gera angústia e revolta entre os beneficiários.
“Já perdi as contas de quantas vezes prometeram que a casa ficaria pronta. Minha filha nasceu depois da tragédia e já está na escola, e ainda estamos esperando”, relatou uma das vítimas, que preferiu não se identificar.
Impacto e perspectivas
O atraso na entrega das moradias agrava a situação social e emocional das famílias, que já enfrentaram o trauma da perda de entes queridos e bens. Especialistas apontam que a falta de moradia digna prolonga o sofrimento e dificulta a retomada plena da vida.
O governo estadual informou que está monitorando a obra e que cobra celeridade da construtora. No entanto, não há garantias de que o novo prazo será cumprido. A investigação do MPRJ segue em andamento e pode resultar em sanções ou rescisão contratual.
A tragédia de 2011 segue como um marco de vulnerabilidade e de falhas na resposta do poder público. Quinze anos depois, as vítimas ainda lutam por um direito básico: um lar seguro.



