Trabalho infantil afeta 77% dos adolescentes ocupados no Brasil
Trabalho infantil atinge 77% dos jovens ocupados no Brasil

Enquanto o mundo acompanha o talento de jovens atletas na Copa do Mundo, o Brasil enfrenta um desafio persistente fora dos gramados. Apesar do desemprego no menor nível já registrado no país, a maioria dos adolescentes ocupados ainda vive em situação de trabalho infantil.

Dados da Fundação Abrinq

Os números constam de um estudo da Fundação Abrinq, baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral (Pnad Contínua), do IBGE. No primeiro trimestre de 2026, a taxa de desocupação atingiu 6,1%, o menor patamar histórico da pesquisa.

No entanto, 77,2% dos jovens de 14 a 17 anos que estão ocupados encontram-se em situação de trabalho infantil. Isso significa que mais de três em cada quatro adolescentes inseridos no mercado de trabalho atuam em condições irregulares, perigosas ou degradantes.

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Desemprego baixo, mas proteção insuficiente

A redução do desemprego é um avanço importante para milhões de famílias em um país marcado por desigualdades. Contudo, os indicadores mostram que geração de empregos e proteção da infância não avançam no mesmo ritmo. O ingresso protegido no mercado de trabalho pode ser uma oportunidade de desenvolvimento, mas o problema está nas situações que violam direitos e expõem adolescentes a condições incompatíveis com sua fase de vida.

Consequências do trabalho infantil

A persistência do trabalho infantil gera consequências além dos indicadores econômicos. Quando o trabalho ocupa o espaço da educação, lazer, convivência familiar e desenvolvimento integral, as perspectivas de futuro também são afetadas. Combater o trabalho infantil não significa impedir o acesso ao trabalho, mas garantir que essa inserção ocorra de forma protegida, segura e compatível com os direitos dos adolescentes.

Caminhos para o futuro

A experiência brasileira indica que crescimento econômico, redução do desemprego e proteção da infância precisam andar juntos. Nenhum desses objetivos exclui os demais. Quanto mais qualificadas forem as oportunidades para as novas gerações, maiores as chances de construir um país mais justo e desenvolvido. Garantir o início da vida profissional em condições adequadas é um compromisso com o desenvolvimento do Brasil. Quando o trabalho infantil compromete direitos, limita-se o potencial de uma geração inteira.

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