Violência de gênero entre adolescentes cresce 600% no RJ
Violência de gênero entre adolescentes cresce 600%

Aumento expressivo de casos

Os casos de violência de gênero praticados por adolescentes cresceram 600% entre 2019 e 2025, segundo um levantamento inédito da Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro, obtido com exclusividade pelo Globo Repórter. Os registros passaram de 10 casos em 2019 para 72 em 2025, revelando não apenas o aumento expressivo das ocorrências, mas também uma mudança no perfil dos agressores, que estão cada vez mais jovens.

Redução da idade dos agressores

Outro dado que chama a atenção é a redução da idade dos adolescentes envolvidos. Se antes predominavam jovens de 16 e 17 anos, hoje já há casos envolvendo meninos de apenas 12 e 13 anos. A juíza Vanessa Cavalieri, titular da Vara da Infância e da Juventude do Rio, afirma que acompanha uma escalada preocupante desse tipo de violência. "Se a gente comparar os números de 2019 com os de 2025, temos um aumento assustador dos casos de violência de gênero praticada por adolescentes", afirma. Ela destaca ainda um episódio envolvendo um menino de 12 anos que, durante uma discussão com a mãe por causa do uso de telas, quebrou o braço dela em dois lugares.

Aplicação da Lei Maria da Penha

Diante da gravidade dos casos, a Justiça passou a recorrer com mais frequência às medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, mesmo quando os agressores são adolescentes. Segundo a magistrada, entre as determinações estão a proibição de contato e de aproximação da vítima, além da restrição de comunicação pelas redes sociais. Em alguns casos, celulares e computadores também são apreendidos para impedir novos episódios de violência.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Influência da machosfera

O levantamento é apresentado no Globo Repórter desta sexta-feira (10), que investiga a influência da chamada machosfera entre adolescentes. A reportagem mostra como comunidades conhecidas como "red pill" difundem discursos de superioridade masculina, incentivam a submissão feminina e relativizam a violência contra mulheres. Especialistas ouvidos pelo programa alertam que esse conteúdo, impulsionado pelos algoritmos das redes sociais, alcança um público cada vez mais jovem e pode contribuir para a normalização de comportamentos violentos.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar