Um morador de São José do Rio Preto (SP) vendeu os móveis de casa e pediu dinheiro emprestado ao vizinho por causa do vício em apostas virtuais. Ele agora faz tratamento em um hospital psiquiátrico da cidade. Em entrevista à TV TEM, o homem, que não será identificado, contou que perdeu o carro e acumulou grandes prejuízos. 'Eu fui perdendo o controle: quanto mais eu jogava, mais eu queria, cheguei a pegar dinheiro emprestado com o vizinho e vender os móveis da minha casa para continuar jogando. Quando eu fui ver, já estava com um prejuízo muito grande, perdi até um carro', relatou.
Dados nacionais alarmantes
O caso não é isolado. Dados do Ministério da Fazenda indicam que aproximadamente 25 milhões de brasileiros apostaram em plataformas digitais em 2025. O Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD) revelou que, desses, 11 milhões mantêm a prática de forma perigosa, com grandes riscos à saúde mental e financeira. Isso significa que cerca de 12% da população adulta do país está envolvida em apostas de alto risco.
Problema de saúde pública
Em São José do Rio Preto, o vício em apostas digitais tornou-se uma questão de saúde pública. No Hospital Psiquiátrico Bezerra de Menezes, a demanda por internações de pacientes que usam plataformas de apostas aumentou. A médica psiquiátrica Gabriela Guimarães explica: 'Há uma alteração do mecanismo de recompensa do cérebro, fazendo com que ele busque sempre a recompensa da vitória. As pessoas que criaram esses jogos descobriram como usar esse mecanismo a seu favor'.
Plataforma de autoexclusão do governo
Para conter o avanço do vício, o governo federal criou uma plataforma de autoexclusão que bloqueia o acesso a jogos de apostas online, impede novos cadastros e limita a publicidade direcionada. Daniele Cardoso, secretária de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, destaca a importância da ferramenta: 'Na medida em que você consegue informar as pessoas sobre essa ferramenta, acaba conseguindo uma adesão maior'. Mais de 600 mil pessoas já se cadastraram. No entanto, apenas sites e aplicativos legalizados no Brasil são bloqueados; muitos cassinos online e bets não regulamentados continuam operando. Em cooperação com a Anatel, o governo já derrubou mais de 40 mil sites ilegais desde 2024.
Redes sociais como porta de entrada
As redes sociais são a principal porta de entrada para as apostas. Influenciadores divulgam plataformas, muitas vezes ilegais, movimentando grandes valores. Em maio de 2025, a Polícia Civil de Rio Preto realizou a Operação Destino Oculto, que mirou uma influenciadora digital suspeita de integrar um esquema criminoso que movimentou mais de R$ 100 milhões. A investigação ganhou força após um morador de Olímpia (SP) tirar a própria vida por dívidas de apostas. Quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos em condomínios de alto padrão em São José do Rio Preto e Olímpia.



