Mais de 41 horas após o vazamento de estireno, substância inflamável e tóxica, em uma fábrica da empresa Innova, no Distrito Industrial, na Zona Sul de Manaus, equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) seguem atuando no resfriamento dos tanques nesta sexta-feira (17). Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), 204 pacientes foram atendidos na rede estadual até às 10h30 desta sexta. Os principais sintomas relatados foram falta de ar, náusea, cefaleia, tontura e desmaio.
Controle do vazamento e monitoramento contínuo
O vazamento na Innova foi registrado às 17h36 de quarta-feira (15), após o produto armazenado no reservatório apresentar uma elevação anormal de temperatura. O monômero de estireno, substância liberada no incidente, é um produto químico tóxico usado na fabricação de plásticos e borrachas. Segundo os bombeiros, o vazamento foi controlado ainda na quarta-feira (15). Desde então, o monitoramento tem sido mantido para evitar o superaquecimento do produto. De acordo com o governo do Amazonas, 35 militares atuaram nos primeiros trabalhos de contenção após o acionamento da empresa.
Desde então, as equipes mantêm o resfriamento da parte externa do tanque e monitoram a temperatura interna com equipamentos a laser para evitar que o reservatório atinja níveis que possam provocar explosão. Segundo o Corpo de Bombeiros, cerca de 80% do material ainda expelido pelo tanque é composto por partículas de água, e a concentração de estireno é significativamente menor do que a registrada no início da ocorrência.
Área de isolamento e retomada de atividades
Por questões de segurança, permanece isolada uma área de cerca de 300 metros ao redor da empresa. Após uma nova avaliação, os bombeiros vão decidir sobre a liberação das atividades das indústrias localizadas nas proximidades da fábrica. Medições paralelas conduzidas pela Defesa Civil indicaram que os índices de contaminação do ar nas áreas industriais vizinhas permanecem estáveis e dentro dos limites toleráveis de monitoramento, acusando taxas inferiores a 20 ppm (partes por milhão), sem registrar variações graves nas últimas horas. O Corpo de Bombeiros fará uma nova avaliação técnica no sábado (18) para definir se autoriza o retorno das atividades rotineiras das indústrias adjacentes.
Atendimentos médicos e internações
Dos 204 pacientes atendidos na rede estadual após a ocorrência, 192 receberam alta médica após avaliação e exames. Outros 11 seguem internados. A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) também registrou a morte de um homem de 67 anos que procurou atendimento após relatar mal-estar provocado pelos efeitos do vazamento. No entanto, a pasta informou que o paciente tinha histórico de doença respiratória crônica e que não foi constatada relação direta entre o óbito e a ocorrência.
Os principais quadros clínicos relatados pelas vítimas atendidas envolvem falta de ar, náuseas, cefaleia (dor de cabeça), tontura e desmaios causados pelo forte odor exalado. A recomendação da pasta é que moradores das adjacências ou trabalhadores que manifestem dor de garganta, irritação nos olhos ou dificuldades respiratórias busquem atendimento imediato na unidade de saúde mais próxima ou acionem o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pelo número 192.
Multa e possível interdição da fábrica
A Innova, empresa onde ocorreu o vazamento de gás tóxico monômero de estireno em Manaus, foi multada em R$ 4,5 milhões pela prefeitura após uma inspeção técnica. Durante a vistoria, foi identificado que os níveis de poluição atmosférica ainda permanecem acima do limite considerado seguro para a exposição humana. Após a estabilização completa da área por parte das equipes de resposta emergencial, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) fará uma vistoria rigorosa na estrutura da unidade industrial para apurar se existem irregularidades em desconformidade com a legislação urbanística municipal e com as diretrizes do Plano Diretor de Manaus.
Segundo a gerente da Divisão de Controle da Cidade do Implurb, Maria Aparecida Fróes, a inspeção interna do complexo fabril só será realizada após a liberação formal da Defesa Civil do Estado, em virtude dos riscos operacionais residuais existentes no perímetro do tanque. Caso sejam identificadas infrações técnicas ou estruturais, o instituto informou que aplicará novas autuações e poderá determinar, de forma preventiva e imediata, a interdição parcial ou total da fábrica. O órgão destacou que a medida punitiva poderá ocorrer independentemente de a empresa possuir o certificado de Habite-se regularizado.



