Na madrugada desta sexta-feira (26), trabalhadores terceirizados da Refinaria de Paulínia (Replan), a maior refinaria da Petrobras, foram agredidos e ficaram feridos durante uma greve que ocorre desde o dia 15 de julho. O incidente aconteceu nos arredores da companhia, na Rodovia Professor Zeferino Vaz (SP-332).
Detalhes da agressão
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), dois homens, de 43 e 49 anos, ficaram feridos. As vítimas participavam da greve quando cerca de 15 homens armados e encapuzados começaram a agredir os grevistas. Houve disparos de arma de fogo no local e carros ficaram danificados. O caso foi registrado como lesão corporal, dano e disparo de arma de fogo na Delegacia de Paulínia, que solicitou perícia aos veículos e exames do Instituto Médico Legal (IML) às vítimas.
Em nota, a Replan afirmou que não recebeu notificação formal sobre a ocorrência, mas tomou conhecimento do caso e imediatamente comunicou o fato às empresas prestadoras de serviço envolvidas. "A Petrobras repudia qualquer forma de violência e reforça que eventuais ocorrências dessa natureza devem ser apuradas pelas autoridades competentes", completou a empresa.
Ferimentos e testemunho
O g1 teve acesso a um vídeo supostamente gravado por uma das vítimas. No vídeo, o homem relata que "a porrada comeu" e que "estouraram a minha cabeça com um taco de beisebol". Ele também afirma que "apontaram quatro pistolas para mim" e "deram tiros para o alto". Segundo um advogado dos feridos, o trabalhador que aparece no vídeo recebeu 36 pontos na cabeça, enquanto outro homem está internado no Hospital Municipal de Paulínia. A SSP, no entanto, não confirma a relação dessas vítimas com o caso.
Greve e reivindicações
A greve de trabalhadores prestadores de serviço na indústria da construção civil e manutenção industrial da Replan é coordenada pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) e pelo Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro). As principais reivindicações incluem: reajuste salarial de 9%, melhorias em benefícios, aumento do vale-alimentação, aumento do café da manhã, aumento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e aumento da cesta natalina.
De acordo com a FUP, algumas empresas têm sinalizado disposição para avançar nas negociações, mas outras ainda mantêm propostas consideradas insuficientes pelos funcionários. Apesar de uma determinação judicial que estabelece a manutenção de parte das atividades, a categoria confirmou que os trabalhadores seguem mobilizados por conta da falta de avanços nas negociações.
Reação do sindicato
O coordenador-geral do Sindipetro, Steve Austin, repudiou as agressões e cobrou avanços nas negociações. "Se existe conflito aqui, é um conflito entre trabalhadores e empresas. É luta de classes. Não existe luta de classes com violência. Se alguém está promovendo violência, são as empresas que não estão respeitando o direito de greve e a livre manifestação dos trabalhadores", disparou.



