Agentes da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investigam as mortes de seis homens baleados no Jardim Novo, em Realengo, Zona Norte do Rio. Os corpos foram levados por moradores à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Magalhães Bastos na noite de quinta-feira (9). Segundo informações preliminares, as vítimas teriam sido atingidas durante uma operação policial na comunidade dominada pela facção Amigos dos Amigos (ADA).
Vítimas identificadas e circunstâncias das mortes
Cinco dos seis mortos foram identificados pela Polícia Civil: Lukas Taylan de Mendonça Monteiro, Jonathan Andrade Ferreira, Vinicius Neves Dantas, Felipe Barbosa da Silva e Alanderson de Almeida Guimarães. O sexto, segundo moradores, era conhecido apenas como Mega. Parentes relataram que os corpos estavam em uma área de mata e foram removidos por eles próprios. "Fomos nós que retiramos os seis da área de mata e levamos para a UPA. Disseram que haviam mais três corpos lá, mas só encontramos esses. Eles (policiais) sabiam que os corpos estavam lá. O telefone do Vinicius que estava com ele sumiu", disse um familiar.
Operação policial e apreensões
A operação da Polícia Militar começou por volta das 5h de quinta-feira, com agentes do 14º BPM (Bangu), 9º BPM (Rocha Miranda) e 41º BPM (Irajá). Houve troca de tiros e um homem foi preso. Com ele, os policiais apreenderam dois fuzis, uma submetralhadora, cinco granadas, duas pistolas e drogas. Três veículos foram recuperados. No início da tarde, o Batalhão de Ações com Cães (BAC) localizou, com os cães Hulk, Ira e Nila, um quilo de cocaína e 200 frascos de lança-perfume em uma construção abandonada. Durante a ação, foi encontrada uma fábrica clandestina de munições com impressoras 3D e aparatos para reprodução de munições de diversos calibres.
Relação com facções criminosas
A comunidade do Jardim Novo é controlada pela ADA, chefiada por Lucas Apostólico da Conceição, o Índio, foragido com sete mandados de prisão em aberto. Investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes indicam que Índio tem um acordo com o Comando Vermelho (CV) para usar o Jardim Novo como corredor para o avanço do CV sobre territórios rivais nas zonas Oeste e Sudoeste. A aliança foi descoberta por interceptação de mensagens entre Carlos da Costa Neves, o Gardenal, braço operacional do CV, e um miliciano. Em troca, Índio recebeu a promessa de não ser atacado pelo CV.
Posicionamento da Polícia Militar
A PM informou, por meio de nota, que não foi acionada para o encontro dos corpos. "A unidade não foi acionada sobre a localização de corpos ou feridos na área do Jardim Novo, vindo a tomar conhecimento posteriormente de que seis corpos teriam sido encontrados por moradores e levados até uma unidade de saúde próxima." A corporação afirmou que a operação foi encerrada no final da tarde de quinta, mas o cerco policial permanece na região.
Histórico de violência na região
Em 3 de janeiro deste ano, três mulheres foram torturadas dentro de um ferro-velho na comunidade da Light, em Realengo, por ordem de Índio. O caso resultou na morte de Naysa Kayllany da Costa Borges Nogueira. Em 10 de abril de 2026, policiais da 44ª DP (Inhaúma) cumpriram 24 mandados de prisão no Jardim Novo, prendendo seis pessoas, mas Índio escapou. Os corpos dos seis homens foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML) para necropsia. A Polícia Civil informou que "outras diligências também estão em andamento para esclarecer os fatos".



