Seis jovens desaparecem em Rio das Pedras; milícia é suspeita
Seis jovens desaparecem em Rio das Pedras; milícia suspeita

Seis jovens desaparecem em Rio das Pedras sob suspeita de ação de milicianos

Em um período de três meses, seis jovens desapareceram na região de Rio das Pedras, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Testemunhas relatam que as vítimas foram abordadas e mortas por milicianos que atuam na área. As famílias dos desaparecidos afirmam que eles não tinham envolvimento com o crime.

Primeiro desaparecimento: João Ícaro Alves Souza

João Ícaro Alves Souza, de 19 anos, morava na comunidade da Muzema e seguia para o bairro da Taquara quando desapareceu no dia 26 de fevereiro. Segundo testemunhas, ao passar de moto por Rio das Pedras, ele foi abordado em uma falsa blitz montada por milicianos. Depois disso, nunca mais foi visto.

Gustavo Henrique Nascimento Francisco

Três dias depois, em 29 de fevereiro, Gustavo Henrique Nascimento Francisco, também de 19 anos, foi visitar a namorada em Rio das Pedras. Ele foi visto pela última vez na localidade conhecida como Areal e, desde então, não foi mais encontrado. As famílias relatam que os jovens não possuem passagem pela polícia.

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Relatos de testemunhas e moradores

“São muitos jovens que estão desaparecendo. E isso veio crescendo cada vez mais. Desde o ano passado, final do ano passado pra cá, vem sumindo jovens diariamente, constantemente”, afirmou uma testemunha cuja voz foi modificada por inteligência artificial para preservar sua identidade. Moradores contam que as abordagens ocorrem em qualquer lugar, inclusive dentro de ônibus e vans. “Eles tiram os jovens de dentro do ônibus, arrancam das vans e levam e nunca mais os parentes encontram seus familiares e entes queridos”, disse uma mulher.

Josimar dos Santos Ferreira

No dia 18 de março, Josimar dos Santos Ferreira, de 36 anos, desapareceu após ir a Rio das Pedras. Amigos e familiares não tiveram mais notícias. “Demos parte na delegacia, fomos ao IML, hospitais. Chegando lá, perguntamos, mostramos fotos, ninguém viu, ninguém sabe. Aí passou uma semana, fizeram uma postagem no Twitter falando que tinham matado ele, e que o corpo dele tava no Areal”, relatou um familiar.

Contexto: disputa entre milícia e facção TCP

Historicamente, Rio das Pedras é uma área controlada pela milícia. Segundo investigações, traficantes da facção Terceiro Comando Puro (TCP) passaram a dar suporte à proteção territorial e à venda de drogas na região. A maioria dos jovens desaparecidos mora em comunidades dominadas pela facção rival, o Comando Vermelho, ou em áreas alvo de disputa entre grupos criminosos.

Luan Victor Bento Barbosa, 15 anos

No dia 19 de abril, Luan Victor Bento Barbosa, de 15 anos, seguia para a casa do pai, também em Rio das Pedras. A família não sabe se ele estava a pé, de van ou de ônibus. “A única coisa que a gente sabe é a localização do GPS do celular, que marcou na Rua Nova, a primeira localização. Então, a gente acredita que ali ele tenha sido sequestrado pelos milicianos. A segunda localização bateu na Rua Dama da Noite. Dizem que aquela Rua Dama da Noite é onde ficam os milicianos, onde fica os predinhos, valão. É lá que eles fazem as barbaridades com os jovens”, contou a família.

Ryan Palhares, 25 anos

Um dia após o desaparecimento de Luan, Ryan Palhares, de 25 anos, trabalhou normalmente em um quiosque na Barra da Tijuca. Depois do expediente, embarcou na linha 878, que liga a Barra ao Tanque, em Jacarepaguá. Durante o trajeto, trocava mensagens com a namorada, mas parou de responder enquanto passava por Rio das Pedras.

Ações da polícia e cemitério clandestino

Nesta quinta-feira (25), parentes de jovens desaparecidos foram ao Instituto Médico-Legal (IML) para fornecer material genético. Na semana passada, a Polícia Civil encontrou um cemitério clandestino na região, com diversas ossadas localizadas no local.

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Pedro Henrique Lopes Guimarães, caso mais recente

O caso mais recente ocorreu no dia 4 de junho. Pedro Henrique Lopes Guimarães, que morava no Rio de Janeiro havia apenas cinco meses, desapareceu após sair de casa. Natural do Rio Grande do Sul, ele morava na comunidade da Tijuquinha. Antes de desaparecer, enviou uma mensagem aos pais informando que sairia para dar uma volta. “Chegou uma denúncia de que ele tinha sido morto em Rio das Pedras. Pegaram ele e mataram ele. E por que fizeram isso com ele, por que tamanha crueldade? Um guri que não fazia nada de errado. Ele sabia que não podia ir aos lugares. Eu tô aqui destruída”, desabafou a mãe. “Eu não espero que ele esteja vivo. Se ele tivesse fugido, a gente saberia. E como tem muito desaparecimento, não tem como não achar que aconteceu alguma coisa mesmo. A família tá toda destruída”, completou.

O que diz a Polícia Civil

Em nota, a Polícia Civil informou que todos os casos são investigados e que agentes realizam diligências para localizar os desaparecidos.