A Sabesp concluiu na manhã desta terça-feira (14) a primeira fase dos reparos da cratera que se abriu no bairro Rochdale, em Osasco, na Grande SP. A cratera abriu na Rua Cuiabá durante obras de implantação de uma rede de esgoto para despoluição de córregos. Após uma madrugada de trabalho, uma camada de cimento foi colocada no local.
Três imóveis interditados e nove desabrigados
Segundo a Sabesp, o megaburaco foi causado por movimentação de solo que provocou trincas e rachaduras em três imóveis em frente ao canteiro de obras. A Defesa Civil de Osasco afirmou que a obra executada por empresa terceirizada da Sabesp ocasionou danos estruturais nas três residências, comprometendo a segurança dos ocupantes. Os imóveis foram interditados, e nove pessoas ficaram desabrigadas — sete adultos e duas crianças —, que serão acolhidas pela concessionária com um vale de ajuda de pelo menos R$ 2 mil.
Assistência e investigação
A Sabesp informou que equipes de assistência social e de engenharia estão no local para prestar atendimento às famílias, realizar avaliações técnicas e adotar as medidas necessárias enquanto as causas são apuradas. A empresa afirmou que prestará toda a assistência aos moradores e fará o reparo integral dos danos, acompanhando cada caso individualmente. A prefeitura de Osasco confirmou, em nota, que nove pessoas ficaram desabrigadas e que equipes da Defesa Civil e da Sabesp permanecem no local.
Casos recentes de problemas em obras da Sabesp
A cratera em Osasco ocorre em meio a outros incidentes durante obras da Sabesp. Em 6 de julho, houve rompimento de uma adutora na Avenida Luiz Pequini, em São Bernardo do Campo, durante obras de ampliação do sistema de saneamento. Em junho, a Sabesp admitiu que funcionários não seguiram protocolos de segurança e provocaram um vazamento de gás no Centro de São Paulo, três dias após a empresa anunciar um novo protocolo para evitar ocorrências como a explosão no Jaguaré, em maio, que atingiu 46 imóveis, destruiu dez deles e matou duas pessoas. O caso do Jaguaré segue sob investigação.
Governador Tarcísio de Freitas critica procedimentos
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou em junho que o estado vai revisar os procedimentos das obras da Sabesp após a explosão no Jaguaré. Segundo Tarcísio, o momento é de prestar assistência às vítimas e reavaliar os protocolos de segurança diante do volume de intervenções. "A gente tem hoje 1.200 canteiros de obra da Sabesp no estado. São muitas obras acontecendo e tem uma hora que você tem que dar uma parada. Vamos verificar procedimento, porque a gente não pode ter esse tipo de coisa acontecendo", disse. Ele destacou que o aumento dos investimentos em saneamento após a privatização da empresa, em 2024, elevou a quantidade de obras simultâneas e a preocupação com a segurança operacional: "Por mais que você tenha aumentado muito o risco – aumentou muito a quantidade de obra e de investimento – isso está tirando o sono, está preocupando a gente, então vamos revisitar esses processos pra garantir a segurança das pessoas".
Arsesp investiga o caso
A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) já iniciou providências para apurar as circunstâncias da ocorrência e deslocará equipe técnica ao local. Caso sejam constatadas irregularidades, incluindo descumprimento dos protocolos de segurança instituídos pela Arsesp, serão aplicadas sanções cabíveis. A agência acompanhará o caso até a conclusão das apurações, incluindo a assistência prestada pela concessionária aos moradores afetados.



