Ricco Transportes segue operando por mais 60 dias em Rio Branco
Ricco Transportes segue operando por mais 60 dias em Rio Branco

A Ricco Transportes e Turismo vai permanecer na operação do transporte coletivo de Rio Branco por mais 60 dias, conforme divulgado pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans) nesta sexta-feira (3), último dia de vigência do contrato emergencial.

Fases da transição

Segundo a diretora administrativa da RBTrans, Weima Kedila, os primeiros 30 dias, chamados de fase inicial, são para organizar a bilhetagem eletrônica e instalar a JTP Transportes, Serviços, Gerenciamento e Recursos Humanos LTDA, contratada para assumir a operação. "Nesse período da fase inicial, também vai ocorrer a instalação de garagem e a contratação dos servidores. Os outros 30 dias são para que a nova frota consiga chegar até a capital acreana", explicou a diretora.

O g1 entrou em contato com a sócia-proprietária da Ricco Transportes, Bruna Dias, e não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

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Declarações do prefeito

À imprensa, o prefeito Alysson Bestene (PP) destacou que a prorrogação do contrato ocorreu para não prejudicar a população. "São cerca de 120 ônibus novos que estão chegando, mas a Ricco ainda vai continuar operando nas condições que a gente espera que melhore", disse.

O g1 questionou a Prefeitura de Rio Branco, que afirmou na última semana não existir a possibilidade da Ricco voltar a operar, e, até a última atualização, não havia obtido resposta.

Táxi-lotação continua

Ainda conforme Weima, os táxi-lotação também vão continuar em operação. "A Ricco continua operando até a chegada dos novos ônibus e enquanto ela não conseguir reaver os [38] ônibus que estão apreendidos pela Justiça do Acre, os táxis devem continuar com autorização para fazer lotação", completou.

Decisão judicial

Os transtornos se intensificaram desde a última terça-feira (30), quando a Justiça do Acre cumpriu uma carta precatória expedida pela Justiça do Distrito Federal e apreendeu parte da frota da Ricco Transportes e Turismo. Ao todo, a decisão judicial determina a retomada de posse de 50 ônibus por causa de uma dívida de quase R$ 3 milhões da empresa. Devido a dívidas aos servidores, que estão de aviso prévio, contudo, para evitar mais transtornos, a Vara de Cartas Precatórias decidiu por apreender apenas 38 veículos.

Impactos no transporte

Na manhã desta sexta-feira (3), um ônibus da linha Tancredo Neves apresentou problemas mecânicos na parte alta da capital. O veículo precisou parar, e os passageiros precisaram aguardar. Entre os usuários estava a cozinheira Maria de Nazaré Fernandes, que cobrou melhorias no serviço. "A gente quer que o problema da população com o transporte público seja resolvido. Tem gente aqui que está até dormindo dentro do ônibus esperando. Todo mundo tem conta para pagar, todo mundo tem compromisso. A gente quer uma solução. Bora, autoridades, acordem. Vocês que falam bonito, se mexam. Se estivessem preocupados com a população, já tinham resolvido o problema do transporte público", afirmou.

A passageira disse também que os usuários continuam à espera de uma resposta. "Nem todo mundo vai ter dinheiro para pagar o táxi-lotação, porque tem gente que sai com os R$ 3,50 da passagem contadinho. E aí, vai fazer o quê? Infelizmente, estamos entregues", completou.

Medidas paliativas

Para tentar minimizar os impactos, a Prefeitura de Rio Branco autorizou, em caráter temporário, a operação do serviço de táxi-lotação. A modalidade começou a funcionar na quarta-feira (1º) e faz o transporte entre bairros e Centro pelo valor de R$ 5 por passageiro, enquanto durar a redução da frota.

Histórico de problemas

Esta não é a primeira vez que ônibus da Ricco são alvo de medidas judiciais. Em julho de 2024, a Justiça de São Paulo determinou a busca e apreensão de 16 veículos da empresa após o atraso no pagamento das parcelas do financiamento dos ônibus. Com a redução da frota em circulação, passageiros passaram a enfrentar longas filas nas paradas, coletivos lotados e aumento no tempo de espera. Por causa das dificuldades de deslocamento dos estudantes, a Universidade Federal do Acre (Ufac) suspendeu as aulas até o sábado (4).

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