Árbitro denuncia injúria racial em jogo; suspeito preso e liberado
Árbitro denuncia injúria racial em jogo; suspeito liberado

O árbitro Raphael Noeinstein de Araújo denunciou ter sido vítima de injúria racial durante uma partida do Campeonato Municipal de Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O suspeito, Guilherme Gabriel Pires, de 29 anos, foi preso em flagrante, mas liberado pela Justiça após audiência de custódia.

Como ocorreu a injúria racial

De acordo com o relato do árbitro, Guilherme estava no meio da torcida enquanto acontecia a partida entre Campolina e Dedé, no Estádio Deodoro Campolina, quando começou a chamá-lo de "negão". Ao ser repreendido pelo árbitro assistente, Marcyano Pires, o suspeito passou a chamar o árbitro de "macaco".

No boletim de ocorrência, Raphael afirmou que, após ouvir os insultos, paralisou a partida e acionou o policiamento. O suspeito foi detido e encaminhado ao batalhão da Polícia Militar. No ato do registro, Guilherme disse aos policiais que foi "apenas uma brincadeira com o juiz, mas ele não aceitou".

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Medidas legais e posicionamentos

O homem passou pela audiência de custódia e teve a liberdade provisória concedida pela Justiça. A Polícia Civil informou que instaurou inquérito para investigar o caso. Para a reportagem, Guilherme afirmou que foi um "mal entendido" e que "não deseja que aconteça com ninguém".

A Federação Mineira de Futebol, responsável pela escalação do árbitro para a partida, manifestou apoio ao profissional e disse que "racismo é crime e deve ser combatido com firmeza e tolerância zero. Ressaltamos o nosso apoio ao profissional e acompanharemos as medidas cabíveis que, com responsabilidade, foram tomadas pelo árbitro no momento do ocorrido."

O Sindicato de Árbitros de Minas Gerais também se posicionou a favor do árbitro, afirmando que "atitudes racistas não podem ser toleradas em hipótese alguma. O silêncio nunca será uma opção diante da discriminação."

Nota do suspeito

Em nota enviada à reportagem, Guilherme Gabriel Pires declarou: "Foi apenas um mal entendido. Fico triste com essa situação pelo fato de eu ser negro. Jamais faria um ato desse com o intuito de denegrir a imagem de quaisquer pessoa que seja. Peço desculpa a todos que são negros, assim como eu também sou. Foi um mal entendido por todos. Que esse fato não venha ocorrer nem comigo, nem com qualquer pessoa que seja. Pessoas pardas, pessoas brancas e pessoas negras: todos merecem respeito."

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