Policiais identificaram quatro suspeitos de terem participado diretamente de um ataque a tiros contra investigadores da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). As vítimas estavam em uma viatura descaracterizada, nesta quarta-feira, dia 8, na comunidade conhecida como Predinhos, próxima à Favela do Muquiço, em Guadalupe, na Zona Norte do Rio. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados.
Policial baleado na cabeça dirigiu ferido e salvou colegas
O oficial de polícia Carlos Alberto Freire Neto, de 35 anos, que dirigia o carro, foi atingido por um tiro na cabeça. Mesmo ferido, ele ainda conseguiu conduzir a viatura por cerca de 150 metros. O veículo desceu uma ladeira, atravessou duas pistas da Avenida Brasil e parou ao bater contra um muro na pista central da via expressa, no sentido Rio. Socorrido, ele não resistiu aos ferimentos e morreu no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo. A manobra feita pelo policial pode ter ajudado a salvar as vidas dos outros três policiais que também estavam no carro descaracterizado (um Nissan branco). Uma agente foi atingida por um tiro na perna e passou por uma cirurgia. Os outros dois investigadores escaparam sem ferimentos.
Investigação e prisões
Além dos quatro homens identificados que são investigados, outros quatro homens foram presos pela polícia no dia do crime, na mesma comunidade onde o ataque ocorreu. Dois foram capturados em flagrante por tráfico de drogas, e outros dois já estavam com as prisões decretadas pela Justiça por conta de outros delitos. Segundo investigações da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), eles também são suspeitos de integrar a quadrilha responsável pelo tráfico no Muquiço e nos Predinhos.
Detalhes do ataque
Na quarta-feira, a equipe da DHBF realizava um trabalho de inteligência e reconhecimento da área para uma futura ação de cumprimento de mandados, quando entrou na Rua da Jaqueira, que dá acesso à comunidade. Logo nos primeiros metros, uma placa afixada em um poste fazia uma advertência a quem entrava no local: "Atenção: abaixe os faróis, acenda a luz interna e abaixe os vidros", dizia o letreiro. Não se sabe se os policiais chegaram a notar a placa. Eles teriam manobrado o carro ao verificar, na altura de uma praça, que uma valeta com pneus, improvisada como barricada, impedia o acesso do veículo. Quando o carro já retornava em direção à Avenida Brasil, criminosos armados efetuaram disparos de pistola. Pelo menos quatro tiros atingiram o Nissan, segundo os indícios encontrados pela perícia.
Reação e operação
Uma viatura da Polícia Penal passava pela Avenida Brasil no momento dos tiros. Alertados pelos disparos, os agentes ajudaram os colegas e chegaram a trocar tiros com os traficantes responsáveis pelo ataque. A Polícia Civil divulgou uma nota na qual classificou o ataque sofrido pelos policiais como "covarde". Após o crime, uma operação de emergência foi realizada no local, com a participação de dezenas de agentes e apoio de dois helicópteros da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Os agentes apreenderam na comunidade uma espada, frascos vazios de lança-perfume e rádios de comunicação. O delegado Carlos Oliveira, subsecretário de Planejamento e Integração Operacional da Polícia Civil, esteve no local. Ele afirmou, na ocasião, que toda a corporação trabalhava para localizar os responsáveis. — Toda a polícia vai ficar empenhada nisso até capturar esses bandidos. Eles responderão criminalmente por isso — disse.
Contexto do tráfico na região
O tráfico no Muquiço e nos Predinhos é comandado por remanescentes da quadrilha de Bruno da Silva Loureiro, de 43 anos. Conhecido como Coronel, ele foi preso no mês passado no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, onde estava internado para tratar uma infecção. Chefe do tráfico na comunidade localizada entre Guadalupe e Deodoro, ele é acusado de ordenar execuções, controlar territórios da facção Terceiro Comando Puro (TCP) e figura em investigações de crimes marcados por extrema violência, entre eles o assassinato de uma jovem de 22 anos, espancada até a morte por se recusar a sair de um baile funk com o traficante.
Homenagens e desdobramentos
Horas depois do crime, o Disque-Denúncia (2253-1177) divulgou um cartaz com a foto do oficial de polícia, pedindo ajuda para encontrar os responsáveis pela morte do agente. O corpo do policial civil Carlos Alberto Freire Neto, de 35 anos, foi velado nesta quinta-feira, na Câmara Municipal de Niterói. Carlos era morador da cidade, pai de dois filhos e integrava, desde maio, a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). Antes disso, havia atuado na Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo. No fim do ano passado, o agente recebeu uma homenagem na Câmara de Vereadores do município, "em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à segurança pública e à dedicação com que exerceu sua missão". Após a cerimônia, o corpo seguiu em cortejo para o Cemitério Parque da Colina, em Pendotiba, onde foi cremado.



