Primo que indicou diarista suspeita de matar casal de idosos em BH se diz abalado
Primo indicou diarista suspeita de matar idosos em BH

O primo da empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos, assassinada a facadas junto com o marido, o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75, afirmou em entrevista ao g1 que está profundamente abalado por ter indicado a diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, para prestar serviços ao casal. Paola é a principal suspeita do duplo homicídio ocorrido na segunda-feira (29) no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, e foi presa em um hotel em Itabira, na Região Central de Minas Gerais, na manhã desta quinta-feira (2).

Confissão e silêncio

Segundo o delegado Gustavo Barletta, Paola confessou o crime durante conversa com os investigadores, mas exerceu o direito de permanecer em silêncio no depoimento formal. Ela alegou ter sofrido um "surto psicótico" e disse que dopou as vítimas antes de atacá-las com uma faca da própria residência. A perícia constatou que Cláudio foi morto com mais de 40 facadas e Maria Clotilde sofreu sete golpes, ambos com lesões compatíveis com tentativa de defesa.

Depoimento do primo

O primo, que pediu anonimato, prestou depoimento na manhã desta quinta no Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio. Ele explicou que Paola trabalhava como diarista em sua casa desde outubro de 2025 e nunca apresentou comportamento suspeito. "Estou muito abatido e me questionando se não deveria tê-la recomendado. Pra mim nunca tive nada a reclamar. Se dizia muito cristã e enviava mensagens bíblicas a toda hora", disse.

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O primo contou que o casal estava se preparando para uma mudança e pediu ajuda para organizar a residência. Na sexta-feira (26), dias antes do crime, o advogado Cláudio ligou novamente pedindo o telefone da diarista, pois havia perdido o contato. "Eu não queria atender, mas acabei atendendo e repassei o telefone", lamentou. A indicação de Paola veio por meio de uma mulher identificada apenas como "Val", em 2025, que ofereceu o serviço. "Essa Val me ligou algumas vezes para saber se eu estava gostando. Nunca tive nada a reclamar", afirmou.

Antecedentes desconhecidos

O parente disse que nunca pesquisou antecedentes da funcionária e desconhecia qualquer envolvimento dela com agiotas ou dívidas de jogos de azar. Imagens de câmeras de segurança mostram Paola entrando no edifício por volta das 7h30 de segunda-feira (29) e saindo oito horas depois com roupas diferentes, duas sacolas e uma bolsa reconhecida pela família. A polícia investiga se um carro que aguardava a saída dela era de um motorista de aplicativo, como ela afirmou.

O que diz a defesa

Em nota, a defesa de Paola manifestou solidariedade aos familiares das vítimas e afirmou que acompanhará a investigação observando os princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. Os advogados disseram que os argumentos serão apresentados no momento oportuno e defenderam que a responsabilização seja definida pela Justiça, "e não por julgamentos antecipados ou pela repercussão do caso".

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