Polícia conclui incineração de 290 mil pés de maconha no Ceará; deputado denuncia droga enterrada
Polícia incinera 290 mil pés de maconha no Ceará; deputado denuncia

A Polícia Civil do Ceará informou nesta sexta-feira (3) que concluiu a operação de destruição e incineração controlada da plantação de maconha encontrada em uma fazenda em Acopiara, no interior do estado. A ação ocorreu um dia após o deputado federal André Fernandes (PL) denunciar que parte da droga estava enterrada no local, sem vigilância policial.

Maior apreensão de maconha da história do Ceará

No dia 25 de junho, policiais encontraram cerca de 290 mil pés de maconha na propriedade, sendo 160 mil em fase de cultivo e 130 mil já colhidos, totalizando aproximadamente 5 toneladas do entorpecente. A apreensão foi considerada uma das maiores da história do estado. Durante a operação, os agentes também localizaram um acampamento usado pelos suspeitos, que fugiram com a chegada da polícia. No local, havia indícios de que a fuga foi recente, como feijão cozinhando em uma panela.

Deputado denuncia abandono e droga enterrada

Na quinta-feira (2), André Fernandes voltou à fazenda e afirmou em suas redes sociais que encontrou parte da droga enterrada, sem qualquer vigilância policial. Segundo o parlamentar, ele escavou uma área do terreno e localizou pés de maconha enterrados. Ele tentou usar um trator para escavar outras áreas, mas foi interrompido por uma equipe da Polícia Civil que chegou durante a gravação do vídeo.

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“Comprovei que o governador mentiu. A droga não foi incinerada. Ela foi enterrada”, afirmou o deputado. “O governador disse que a polícia só sairia quando destruísse tudo. A destruição sendo a incineração. Não aconteceu.”

Polícia Civil explica: material são restos queimados

Em resposta, a Polícia Civil afirmou que o material encontrado pelo parlamentar são restos da plantação e de outras plantas destruídas no terreno. O delegado Pedro Viana, diretor do Departamento de Polícia do Interior Sul, esclareceu: “Claramente, se vê que não é maconha. Quem não entende acha que isso aqui é maconha. A maconha não é feita de raízes. O material da maconha está devidamente queimado e destruído.”

O delegado complementou que a área era muito extensa e a maconha ainda estava verde. “Foram feitos buracos onde, de forma controlada, a equipe do Corpo de Bombeiros orientou que fosse feito esse buraco”, disse. A técnica utilizada pelos bombeiros consistiu em cavar valas, queimar as plantas com gasolina e óleo diesel e, em seguida, cobrir o material com terra para evitar que o fogo se alastrasse.

Ação acompanhada por órgãos de controle

A Polícia Civil informou que a finalização da operação teve acompanhamento de servidores da Perícia Forense do Ceará (Pefoce), da Polícia Militar, da Vigilância Sanitária, do Ministério Público do Ceará e da Guarda Municipal. Conforme a legislação brasileira, drogas apreendidas sem prisão em flagrante devem ser destruídas por incineração no prazo máximo de 30 dias, assegurando a preservação das provas.

O governador Elmano de Freitas (PT) visitou o local no início da semana e afirmou que a Polícia Civil permaneceria até destruir toda a plantação. Após a nova denúncia, a Casa Civil do Governo do Ceará foi procurada pelo g1, mas ainda não se manifestou.

Partido Liberal aciona MPF e PF

O Partido Liberal (PL) informou que vai acionar o Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) para apurar os novos fatos, preservar provas, identificar agentes públicos envolvidos e obter documentos oficiais da operação. O partido também avalia a abertura de uma ação de improbidade administrativa contra o governo estadual, caso as investigações confirmem que agentes públicos deixaram de observar os deveres legais.

Investigação sobre conduta policial

A Controladoria Geral de Disciplina do Ceará (CGD) abriu investigação para apurar a conduta dos policiais responsáveis pela preservação do sítio. O Ministério Público do Ceará, por meio do Gaesp e do Gaeco, acompanha as investigações de forma integrada. A Polícia Federal informou que não comenta investigações em andamento.

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Proprietário preso e solto; arrendatário foragido

Na quinta-feira (2), a Polícia Civil prendeu temporariamente o proprietário do terreno, João Holanda Neto, de 59 anos, investigado por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Ele se apresentou para depor e teve o mandado cumprido. A defesa alega que João Holanda, em tratamento de câncer de pele, arrendou a área para Cristiano Rodrigues de Lima, que está foragido. Em vídeo, o proprietário, emocionado, pede que o arrendatário se apresente: “Eu pensando que você era uma [boa] pessoa. E você faz isso comigo? Você conhece a gente há mais de 15 anos, tomava café na casa da minha mãe.” João Holanda foi solto nesta sexta-feira (3).

Governador pede depoimento de deputado

No dia 29 de junho, ao visitar a fazenda, o governador Elmano de Freitas questionou as falas de André Fernandes, que sugeriu interferência externa na operação. “Quem foi que interferiu nessa megaoperação? Quem foi que deu a ordem para que os policiais que estavam aqui simplesmente fossem embora?”, perguntou o deputado. Em resposta, Elmano pediu que o deputado prestasse depoimento à polícia para revelar o nome da suposta autoridade que teria ligado para suspender o trabalho. “Quero pedir ao deputado André Fernandes que ele tenha a honra de poder em depoimento dizer que autoridade teria ligado para suspender o trabalho da Polícia Civil aqui”, disse o governador.