Um homem nigeriano de 31 anos, em situação de rua, foi agredido por policiais militares no bairro Cambuí, em Campinas (SP), na tarde desta quarta-feira (10). A vítima, que se identifica como Jerry, contou ao g1 que não entendeu a ordem dos agentes para se ajoelhar por não falar português, comunicando-se apenas em inglês.
Abordagem e agressão
Segundo Jerry, ele dormia em um banco no Largo Santa Cruz quando foi abordado pela PM. Os policiais ordenaram que colocasse as mãos na cabeça, o que ele prontamente obedeceu. No entanto, ao não compreender a ordem seguinte para se ajoelhar, pediu explicações, momento em que as agressões começaram. Imagens mostram os policiais desferindo socos e chutes na cabeça do homem já imobilizado. Os agentes também usaram gás e algemas para contê-lo.
Jerry foi levado ao 1º Distrito Policial, onde permaneceu por menos de cinco minutos antes de ser liberado. A ocorrência foi registrada como resistência e desobediência.
Posicionamento da Polícia Militar
Em nota, a Polícia Militar afirmou que não compactua com excessos e pune rigorosamente casos identificados. O comando do 8º Batalhão do Interior determinou a abertura de um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar os fatos, incluindo análise do vídeo veiculado e das câmeras corporais dos agentes. O procedimento será acompanhado pela Corregedoria Geral da PM.
Acompanhamento da Prefeitura
A Prefeitura de Campinas informou que acompanha a situação do imigrante desde março deste ano, por meio da rede municipal de Assistência Social e Saúde. A primeira abordagem ocorreu na Praça 15 de Novembro, no Cambuí, quando foram oferecidos acolhimento e orientações, mas sem adesão. Ao longo das semanas, novas abordagens foram realizadas, e a Prefeitura acionou o Centro de Referência do Imigrante, Refugiado e Apátrida. Foi possível identificar o usuário e contatar sua mãe na Nigéria, que solicitou que os serviços públicos continuassem acompanhando o caso. O Consultório na Rua e outros serviços de saúde passaram a acompanhar a situação, e em uma ocasião, o homem foi encaminhado para atendimento psiquiátrico. Em todas as oportunidades, ele manifestou não desejar receber atendimento ou acolhimento. A Prefeitura ressalta que o acolhimento institucional não pode ser compulsório, salvo em situações específicas previstas em lei.



