A Polícia Federal (PF) cumpriu nesta sexta-feira (3) um mandado de busca e apreensão no apartamento da ex-mulher de Victor Henrique de Oliveira Shimada, empresário brasileiro alvo de sanções dos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação ocorreu em Santos, no litoral de São Paulo, como parte da Operação Exchange, que mobilizou mais de 50 policiais federais para cumprir 13 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão temporária.
Objetivo da operação
Segundo a PF, o objetivo da operação é desarticular uma organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. Uma análise preliminar identificou movimentações financeiras superiores a R$ 10 bilhões. Durante a operação, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, parente de Shimada, foi presa. O governo americano a aponta como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, fornecendo serviços logísticos essenciais para as operações de lavagem da rede.
Mandados em quatro cidades
Os mandados foram cumpridos em endereços nas cidades de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Em Santos, a PF esteve em um imóvel de Shimada no bairro Ponta da Praia, onde vivem sua ex-esposa e os três filhos menores de idade. O advogado de Shimada, Yuri Cruz, do escritório Marcelo Cruz Advocacia Criminal, acompanhou o cumprimento do mandado e informou que celulares e documentos foram apreendidos.
Defesa do empresário
Yuri Cruz afirmou que a defesa ainda está se inteirando dos fatos. “Vamos solicitar a habilitação dentro do procedimento para que a gente possa analisar de fato os elementos que subsidiaram as decisões que determinaram as buscas e apreensões e também as prisões temporárias”, declarou em entrevista à TV Tribuna. Ele acrescentou que Shimada é um dos alvos de prisão temporária e que a possibilidade de se entregar à polícia será avaliada. “Isso passa também por uma decisão pessoal, mas é mais uma das hipóteses a serem avaliadas”, disse.
Cruz explicou que a defesa tentará revogar o pedido de prisão temporária, por entender que não é necessária para as investigações. Qualquer ação será tomada após ter acesso à investigação completa. “Nós vamos nos reunir com o cliente e avaliar as possibilidades técnicas. Certamente algumas decisões passam por um aspecto pessoal, mas após termos acesso à integralidade da investigação, às motivações, ao alcance das investigações, aí adotaremos as medidas técnicas pertinentes”, ressaltou. Segundo o advogado, o empresário recebeu com surpresa as sanções dos EUA. “Ele nega tanto a participação em organização criminosa como a prática do crime de lavagem de capitais”, finalizou.
Sanções dos EUA
Os Estados Unidos classificaram Shimada como “elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais”. Ele é sócio das empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda e Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda. O governo americano o acusa de lavar mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) em recursos ilícitos gerados em várias cidades dos EUA, utilizando criptomoedas para transferir valores ao Brasil em nome do PCC, além de envolver-se em outros crimes financeiros.
No Brasil, Shimada é investigado por suspeita de participação em operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao caso VaideBet, que apura desvios de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas. Os EUA citaram que a Victory Trading foi utilizada para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro, sem mencionar o nome do time. Segundo os EUA, Victor, Stella e as três empresas citadas integrariam uma rede internacional de lavagem de dinheiro do PCC, investigada na Flórida. Outros seis acusados foram presos em janeiro deste ano no estado norte-americano. As sanções foram formalizadas pelo Departamento do Tesouro dos EUA, sendo a primeira rodada de sanções econômicas do governo Trump contra alvos com suposta relação com o PCC, após classificar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas internacionais em junho.



