A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta quinta-feira (25), dois mandados de prisão no bairro Laranjeiras, em Uberlândia, durante mais uma fase da Operação 'Mens Occulta', investigação que apura a atuação da família Nunes em crimes relacionados ao tráfico de drogas. Entre os presos está uma avó suspeita de usar o próprio neto para auxiliar na comercialização de drogas. O rapaz também foi preso.
Detalhes das prisões e apreensões
Segundo a PF, a mulher não tem grau de parentesco com os principais alvos da investigação criminal, mas é suspeita de integrar o núcleo operacional da organização sediada em Uberlândia. Durante as buscas, os agentes localizaram drogas na residência da suspeita. Parte do material estava sobre o telhado do imóvel, onde teria sido jogado na tentativa de ocultá-lo da fiscalização policial. Também foram apreendidas duas bicicletas elétricas novas, que seriam produtos de furto. Os envolvidos foram presos pelos crimes de tráfico de drogas e receptação.
Estrutura empresarial do tráfico
A investigação da Polícia Federal revelou que a organização criminosa chefiada por Mario Sergio Nunes, conhecido por 'Serjão do PCC', mantinha uma estrutura semelhante à de uma empresa para transportar cocaína e movimentar dinheiro do tráfico. O grupo utilizava caminhões, carretas, transportadoras, motoristas recrutados, contas bancárias de terceiros e empresas de fachada para sustentar a operação criminosa. Também usavam laranjas para ocultar patrimônio e escondia drogas em compartimentos falsos instalados em caminhões.
Rotas e métodos de ocultação
A organização mantinha uma rota de transporte que ligava Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia a Minas Gerais. A PF identificou a participação de familiares e aliados na movimentação financeira do esquema. Uberlândia era o principal centro de recebimento, armazenamento e distribuição de drogas da organização criminosa. Os caminhões eram adaptados com compartimentos secretos, como fundos falsos atrás do banco do motorista e nos pneus. Em apreensões realizadas em Mato Grosso do Sul, os agentes encontraram carregamentos de 423 quilos de cocaína, 125 quilos de cocaína e 126,2 quilos de pasta base ocultados dessa forma.
Suspeita de lavagem de dinheiro
A Polícia Federal suspeita que os recursos obtidos com o tráfico eram ocultados por meio de empresas de fachada e da aquisição de bens de alto valor. 'Eles não tinham renda fixa declarada, então foram vários veículos de luxo, alguns já estavam colocados à venda. Eles já estavam tentando desfazer dos bens, provavelmente pelas recentes apreensões que ocorreram no mês passado e no mês retrasado, e são veículos de alto valor, alto padrão', concluiu Garcia, delegado da PF.
Defesas se manifestam
A defesa da família Nunes informou que a investigada integrante da família apresentou-se espontaneamente perante a Polícia Federal, mas criticou a falta de acesso aos autos: 'causa profunda preocupação o fato de que, até o presente momento, os advogados seguem sem acesso aos autos, mesmo havendo pessoas privadas de liberdade, e todas ainda aguardando a realização da audiência de custódia.' Já a defesa de Ranniery Nunes Graciano afirmou que 'recebeu com serenidade as informações' e destacou a presunção de inocência.



