PF mira esquema bilionário de lavagem ligado ao PCC; delegado é citado
PF mira esquema bilionário de lavagem ligado ao PCC

Operação Exchange bloqueia R$ 10,4 bilhões e prende suspeitos

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (3) a Operação Exchange, que visa desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. A Justiça determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o montante de R$ 10,4 bilhões. Até a última atualização, sete pessoas foram detidas, e 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão são cumpridos em São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba.

Delegado Fabio Pinheiro Lopes é citado em áudio interceptado

O delegado da Polícia Civil de São Paulo Fabio Pinheiro Lopes, ex-diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e atual diretor do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope), foi mencionado em um áudio interceptado pela PF. Na gravação, o advogado Romany Cutolo Bonente, conhecido como "Roma", afirma: "Eu tenho que mandar R$ 100 mil pro Fabio Caipira do Deic, entendeu? Eu tenho que mandar e ponto, acabou". O áudio foi enviado em 15 de maio de 2024 ao empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como operador do esquema. Os investigadores registraram que o episódio pode indicar possível corrupção e defenderam o aprofundamento das apurações.

O delegado não é alvo da Operação Exchange nem foi denunciado formalmente. Ao g1, ele afirmou que nunca conheceu nenhum dos investigados e que vai processar criminalmente o advogado. "Fui durante anos um delegado muito atuante, responsável por várias operações e prisões amplamente veiculadas pela mídia. Isso infelizmente dá motivos para advogados inescrupulosos usarem o meu nome para extorquir os seus clientes", disse.

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Afastamento anterior e arquivamento de investigação

Em dezembro de 2024, Pinheiro Lopes foi afastado do comando do Deic após ser citado na delação do empresário Vinícius Gritzbach, assassinado no Aeroporto de Guarulhos. Gritzbach afirmou ter pago R$ 5 milhões a um advogado que prometia vantagens em investigação conduzida pelo Deic. O delegado negou as acusações. Em março de 2025, o Ministério Público de São Paulo arquivou a investigação por falta de provas. Pinheiro Lopes foi nomeado diretor do Dope em janeiro de 2026.

Victor Shimada: alvo de sanções dos EUA e foragido

Victor Henrique de Oliveira Shimada, sócio da Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, também é alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos em 1º de julho de 2026. Segundo o governo norte-americano, Shimada é um "elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais", acusado de lavar mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) em recursos ilícitos utilizando criptomoedas. Ele está foragido. No Brasil, também é investigado por suspeita de participação no caso VaideBet, que apura desvios de recursos do patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas.

A defesa de Shimada informou que "tomou conhecimento, há instantes, da operação realizada pela Polícia Federal. Neste momento, entretanto, ainda não dispomos de acesso às decisões judiciais nem aos elementos que fundamentaram as medidas adotadas".

Esquema movimentou bilhões e usava criptoativos

Segundo a PF, os investigados utilizavam sistema estruturado para movimentar recursos por transferências ilícitas de criptoativos, transporte de valores em espécie, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas. Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, também alvo de sanções dos EUA por suposta ligação com o PCC. Mais de 50 policiais federais participam da ação. Os envolvidos poderão ser responsabilizados por associação criminosa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros delitos.

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