Pai preso no ES após ChatGPT denunciar plano de matar filho de 8 anos
Pai preso no ES após ChatGPT denunciar plano de matar filho

Um pai de 43 anos foi preso no Espírito Santo em 19 de junho de 2025, um dia antes da data que havia escolhido para matar o próprio filho de 8 anos, após o ChatGPT, assistente de inteligência artificial da OpenAI, denunciar as conversas ao FBI, que repassou as informações às autoridades brasileiras.

Plano revelado ao ChatGPT

Nas mensagens enviadas ao ChatGPT, o homem detalhou que estaria com uma arma, uma corda e veneno e que realizaria atentados em espaços públicos. Ele também escreveu que tentou contratar um pistoleiro por R$ 50 mil para matar o filho, mas a proposta foi recusada após informar que a vítima era uma criança. "Queria saber de onde vem essa vontade de matar as pessoas. Eu gosto de ver outra pessoa sofrer", disse em uma das mensagens.

Como o ChatGPT detectou o caso

A OpenAI informou que seus sistemas automatizados, incluindo modelos de IA capazes de categorizar conteúdos e analisar o contexto da conversa, sinalizaram as mensagens. A etapa inclui bancos de dados com arquivos já sinalizados e listas de termos proibidos. Após a sinalização, moderadores humanos analisaram a atividade e classificaram como de máxima severidade, desativando a conta e notificando as autoridades.

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"Quando identificamos conversas que indicam um risco iminente e crível de dano a outras pessoas, podemos notificar as autoridades competentes", disse a OpenAI em nota ao g1.

Fronteira cruzada

Álvaro Machado Dias, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explicou que assistentes como o ChatGPT monitoram tudo o que é dito, mas a maior parte da revisão é automatizada. "No caso do pai do Espírito Santo, a fronteira foi cruzada porque havia vítima identificada, método, meios e data próxima. Ou seja, o alerta disparado foi de máxima severidade", afirmou.

Comunicação com autoridades

Este foi apenas o terceiro caso do tipo no Brasil, segundo o delegado Breno Andrade, da Polícia Civil do Espírito Santo. A notificação ao FBI, e não a uma autoridade brasileira, foi considerada inadequada por Álvaro Machado Dias. "O crime seria no Brasil, a vítima estava no Brasil, o suspeito estava no Brasil, e a prisão dependia do Estado brasileiro. Quem presta serviço aqui não pode tratar o Brasil como mercado consumidor e os Estados Unidos como foro natural de todo conflito", criticou.

O especialista destacou que as autoridades brasileiras precisam oferecer um canal direto para receber esse tipo de alerta. "A rapidez é decisiva porque a IA comprime a distância entre intenção, plano e execução". Ele também ressaltou que comunicar o caso foi a decisão correta, pois "as pessoas falam com o ChatGPT como quem fala com um terapeuta ou um advogado, mas a IA não é nem uma coisa nem outra, e portanto não carrega segredo profissional nenhum".

Investigação e prisão

O FBI encaminhou a denúncia ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, que direcionou o material à Polícia Civil do Espírito Santo. As informações foram enviadas à Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos do Espírito Santo, que cumpriu mandados judiciais e prendeu o suspeito. O delegado Ícaro Olímpio afirmou que o homem negou a acusação, mas foi detido com base no histórico de conversas com o ChatGPT fornecido pela OpenAI. "Nós tivemos elementos o suficiente para poder prevenir esse crime grave que estava prestes a acontecer. Temos convicção de que nós evitamos o que seriam atos de extrema violência", declarou.

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