A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira, 3, a Operação Exchange contra o braço financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), cumprindo 13 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão temporária em São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. A operação é resultado de uma investigação de três anos conduzida pelos Estados Unidos, que compartilhou provas com a PF. Entre os alvos estão os primeiros brasileiros sancionados pelo governo americano por suposta ligação com a facção.
Esquema de lavagem de R$ 10 bilhões
O esquema, coordenado por Ygor Fokin Saviolli e Victor Henrique de Oliveira Shimada, movimentou cerca de R$ 10 bilhões em lavagem de dinheiro e tráfico de drogas, especialmente haxixe. Ygor Fokin foi detido no Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale (EUA) em outubro de 2023, e seu celular foi apreendido. A perícia americana encontrou vídeos, imagens e comprovantes de transferências em espécie, analisados pelo Homeland Security Investigations (HSI).
Sanções dos EUA e foragidos
Victor Shimada foi sancionado pelo Tesouro dos EUA na última quarta-feira, 1º, por supostamente branquear ativos do PCC no exterior. Ele está foragido. Stella Stefanie Nunes, também sancionada, foi presa na manhã desta sexta. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que a operação foi antecipada após o governo Trump apontar movimentação financeira de suspeitos.
Provas no celular de Ygor Fokin
A análise aprofundada do celular de Ygor Fokin confirmou mensagens, registros e arquivos de mídia relacionados à venda de drogas, movimentações de dinheiro em espécie, investimentos em criptoativos e mecanismos de compensação financeira. Os investigados usavam linguagem cifrada, como o termo “iPhone” para se referir a entorpecentes.
Empresas de fachada
A PF constatou que Ygor Fokin e Victor Shimada utilizavam as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda. e Hi Quality Importação Comércio e Distribuição Ltda. para movimentar, ocultar e dissimular recursos ilícitos. Shimada é descrito como um “grande lavador de dinheiro”, operando uma rede complexa de branqueamento patrimonial do PCC.
Alvos da operação
Entre os alvos estão: Victor Henrique de Oliveira Shimada (líder do esquema, foragido); Ygor Fokin Saviolli (coordenador logístico, preso nos EUA); Paulo Roberto Macedo (“Urso”, operador financeiro); Gabriel Innocente (negociador de haxixe); Amauri Henrique de Oliveira (apoio logístico); Anderson Gonçalves Amaral (sócio da Hi Quality); Jefferson Costa de Britis (contador); Leandro de Proença, Carlos Henrique Costa Almeida, Romany Cutolo Bonente (“Roma”), João Gilberto Codognotto (“Giba”) e Diego Lameiro Diz (operadores financeiros); e Stella Stefanie Nunes (secretária de Shimada).
Bloqueio de bens
A Justiça determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até R$ 10,4 bilhões. A reportagem busca contato com a defesa dos investigados, que ainda não se manifestou.



