Operação contra Tren de Aragua prende 15 e apreende Porsche e criptomoedas
Operação contra Tren de Aragua prende 15 e apreende Porsche

A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (16) a Operação Rota do Norte, que visa desarticular o esquema de lavagem de dinheiro da facção venezuelana Tren de Aragua. A ação ocorre em Roraima e mais cinco estados, com o uso de tecnologia de rastreamento em blockchain, fornecida pela empresa norte-americana Chainalysis, para localizar e congelar criptomoedas usadas para ocultar milhões de reais obtidos ilegalmente.

Como funciona o rastreamento

Blockchain é uma tecnologia que funciona como um livro de registros digital compartilhado por uma rede global de computadores. As informações são organizadas em blocos interligados, e cada novo bloco só é adicionado após verificação e validação por toda a rede. Isso torna os registros praticamente imutáveis, garantindo transparência e segurança sem intermediários.

"Assim como as empresas, as facções criminosas têm se atualizado com relação às transações financeiras e usam até criptomoedas. Já é um outro lado de investigação que nós temos que tomar a partir de agora. Um lado mais especializado", destacou o delegado Hugo Cardias, titular da Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas (Draco).

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Prisões e alvos

Foram presas 15 pessoas (duas em flagrante) em Roraima, Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Entre os alvos está Gustavo Vieira Rufino, apontado como principal operador financeiro da facção no Brasil. Ele foi preso no Rio de Janeiro. A polícia afirma que Rufino exercia papel estratégico no gerenciamento, movimentação e ocultação dos recursos do Tren de Aragua.

A ofensiva teve como alvos principais os estrangeiros que migraram para gerenciar o crime. Foram expedidos 18 mandados de prisão preventiva contra venezuelanos e sete contra brasileiros. A atuação da facção em Roraima é monitorada desde 2018.

Simbiose com o Comando Vermelho

A necessidade de lavar dinheiro no ambiente virtual decorre do volume financeiro gerado pela aliança entre o Tren de Aragua e o Comando Vermelho (CV). A polícia classifica essa relação como uma "simbiose", motivada pelo alto poder de compra da facção brasileira e pelo acesso a armas pesadas dos venezuelanos.

O grupo usa Roraima como corredor estratégico para trazer metralhadoras calibre .50, fuzis e lança-granadas dos Estados Unidos, Colômbia e Venezuela. O arsenal é destinado ao CV no Rio de Janeiro e no Amazonas.

"Há um conjunto probatório robusto de que essas armas eram enviadas para o estado do Amazonas e, em um segundo momento, para o estado do Rio de Janeiro. Armas oriundas dos Estados Unidos, da Colômbia e da Venezuela", informou o delegado Wesley Costa.

Apreensões

Além das prisões e do congelamento de ativos financeiros, as equipes apreenderam cerca de R$ 350 mil em valores convertidos. Foram recolhidos R$ 76.725 em espécie, US$ 48.285 e € 35. Também foram confiscados três máquinas de contar dinheiro e 17 aparelhos celulares.

A polícia apreendeu 11 veículos, incluindo carros de luxo como um Porsche no Rio de Janeiro e um Land Rover em São Paulo. Em Roraima, foram confiscados uma caminhonete S10, um Creta, um HR-V e um HB20. Além disso, foram recolhidas porções de metanfetamina, ecstasy, maconha, cocaína e loló, além de munições e uma pistola calibre 380.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar