Prefeito de SP garante operação de ônibus da Transunião após operação contra PCC
Nunes garante ônibus da Transunião após operação contra PCC

Prefeito garante continuidade do serviço

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou na manhã desta quinta-feira (25) que as linhas de ônibus operadas pela viação Transunião, alvo da Operação Última Parada, não serão paralisadas e que o serviço está garantido para a população. A intenção de Nunes é fazer a intervenção na Transunião, mas ele ponderou que precisa saber dos detalhes da decisão do juiz que ordenou a operação.

"Quero fazer a intervenção, só preciso tomar conhecimento do despacho do juiz", declarou. "Estamos acompanhando o desdobramento da operação ao mesmo tempo em que temos toda a atenção para que o serviço funcione plenamente, o que tem ocorrido normalmente desde as primeiras horas da manhã."

Medidas contra crime organizado

Nunes lembrou que já assinou dois decretos em 2024 para romper contratos com empresas de ônibus ligadas ao crime organizado. "Nossa gestão mantém o compromisso de oferecer o melhor serviço para os 7 milhões de passageiros diariamente na cidade. As medidas cabíveis em relação à empresa Transunião serão tomadas assim que a administração for notificada pelos órgãos competentes", completou.

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A Transunião é a terceira empresa concessionária da Prefeitura de São Paulo alvo de operação por supostas ligações com o crime organizado e facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC). Em abril de 2024, as empresas UPBus e Transwolff foram alvo da Operação Fim da Linha e tiveram seus contratos rescindidos, com as linhas transferidas para Sancetur e Alfa RodoBus.

Operação Última Parada

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deflagraram na manhã desta quinta-feira (25) a Operação Última Parada, contra um esquema de lavagem de dinheiro do PCC no transporte público. Foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária e 104 de busca e apreensão. Os presos são o vereador Senival Moura (PT), Jair Ramos de Freitas ('Cachorrão'), diretor informal da empresa, e Devanil de Souza Nascimento ('Sapo'), motorista e homem de confiança do vereador.

Outros alvos de mandados de prisão incluem Lourival Monário ('Orelha'), atual presidente acusado de ser nomeado pelo PCC para garantir o escoamento de recursos ilícitos, e Leonel Moreira Martins ('Cabeça Branca'), supervisor operacional que atuava como interlocutor direto do PCC na empresa.

Números da operação

A Justiça determinou o bloqueio de 117 veículos, 3 embarcações, o sequestro de 21 imóveis e o bloqueio de R$ 194.457.851,90 em contas dos alvos. Os investigados são acusados de organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações públicas. A diretoria da Transunião foi afastada e a Prefeitura foi comunicada para medidas administrativas.

A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans informaram que "a operação dos ônibus da empresa Transunião segue funcionando, com a frota atendendo normalmente as linhas sob sua responsabilidade e sem prejuízo ao atendimento da população".

Impacto no transporte

Segundo o SPUrbanuss, sindicato das empresas de ônibus da capital, a Transunião opera 51 linhas e transporta 389 mil passageiros por dia, principalmente na Zona Leste. Para garantir o serviço essencial, a SPTrans foi notificada e o município precisa garantir a continuidade, seja por intervenção direta ou repasse das linhas para outras viações.

Investigação e esquema

O inquérito começou com a investigação do assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-presidente da Transunião, executado em 2020. Documentos do PCC ('salves') revelaram que Adauto e o vereador Senival Moura – apontado como verdadeiro controlador da empresa – foram condenados à morte por desvios de valores da facção. O MP afirma que Adauto desviava dinheiro para um 'caixa dois' das eleições de 2020 para a campanha de Senival.

As investigações apontam que Senival concordou com a execução de Adauto e foi 'perdoado' por sua influência política. Após o crime, o PCC nomeou Lourival Monário e Jair Ramos de Freitas para cargos na empresa. Jair é apontado como executor dos disparos. A Transunião recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema de transportes em 2025.

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O esquema incluía um núcleo paralelo que tomava decisões operacionais e transferia valores para criminosos. O capital social da empresa saltou de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões sem origem comprovada, permitindo vencer licitações.

Conexões com máfia italiana

A investigação também revelou ligações com a máfia italiana 'Ndrangheta, por meio das operações Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi. Em 2024, a Operação Fim da Linha desarticulou grupos suspeitos de lavagem de dinheiro via UPBus e Transwolff, que transportavam 700 mil passageiros por dia e receberam R$ 800 milhões em 2023.