A Prefeitura de São Paulo, por meio do prefeito Ricardo Nunes, anunciou nesta quinta-feira (25) a intervenção na Transunião Transportes, empresa de ônibus que opera 30 linhas na Zona Leste da capital. A decisão ocorre após a Operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), revelar suspeitas de lavagem de dinheiro e vínculos da empresa com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Operação prende vereador e aponta controle do PCC
A operação resultou na prisão de três pessoas, entre elas o vereador Senival Moura (Republicanos), que é apontado como um dos intermediários entre a facção e a empresa. Segundo as investigações, a Transunião era utilizada para lavagem de dinheiro do PCC, que teria assumido o controle econômico da transportadora. A polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados à empresa e ao parlamentar.
De acordo com o MP-SP, a Transunião recebia recursos ilícitos do PCC e os inseria no sistema financeiro formal por meio de contratos de prestação de serviços e folhas de pagamento fictícias. “A facção criminosa utilizava a empresa como fachada para ocultar a origem do dinheiro obtido com tráfico de drogas e roubos”, afirmou o promotor responsável pelo caso.
Detalhes da intervenção municipal
Ricardo Nunes declarou que a intervenção tem caráter administrativo e visa garantir a continuidade dos serviços de transporte público na região, sem prejuízo à população. “Não vamos permitir que o crime organizado se aposse de serviços essenciais. A Transunião será gerida temporariamente pela SPTrans até que a situação seja regularizada”, disse o prefeito em coletiva de imprensa.
A SPTrans, empresa municipal de transporte, assumirá a operação das linhas da Transunião por 180 dias, prorrogáveis. A medida inclui auditoria completa nas contas da empresa e revisão de todos os contratos. A Prefeitura também estuda a possibilidade de rescindir o contrato de concessão caso as irregularidades sejam confirmadas.
Impacto para os usuários da Zona Leste
As 30 linhas operadas pela Transunião atendem cerca de 200 mil passageiros por dia em bairros como Itaquera, São Mateus e Cidade Tiradentes. A intervenção não deve alterar a frota ou as tarifas, mas a SPTrans promete reforçar a fiscalização para evitar atrasos e garantir a qualidade do serviço.
Moradores da região manifestaram preocupação com a notícia. “Já sofremos com ônibus lotados e agora essa confusão. Espero que a prefeitura resolva rápido”, disse Maria Aparecida, passageira da linha 4022-10. A SPTrans orienta os usuários a procurarem os canais oficiais para reclamações e informações sobre eventuais mudanças.
Repercussão política e próximos passos
A prisão do vereador Senival Moura gerou reações na Câmara Municipal. O presidente da Casa, vereador Milton Leite, afirmou que será aberta uma sindicância para apurar a conduta do parlamentar. “A Câmara não compactua com qualquer ligação com o crime organizado. As investigações seguirão seu curso”, declarou.
A defesa de Senival Moura nega as acusações e alega que o vereador é vítima de uma “caça às bruxas”. Em nota, a Transunião disse que “colabora com as autoridades e confia na apuração dos fatos”. A operação continua em andamento, e novos desdobramentos são esperados nos próximos dias.



