Nova denúncia ameaça mandato de Lucas Ganem na Câmara de BH
Nova denúncia ameaça mandato de Lucas Ganem na Câmara de BH

Quatro dias após arquivar um processo de cassação do mandato do vereador Lucas Ganem (MDB), a Câmara Municipal de Belo Horizonte deve votar, nesta terça-feira (14), se um novo procedimento contra o parlamentar será aberto. Nesta segunda-feira (13), o presidente da Casa, Juliano Lopes (Podemos), recebeu uma denúncia que pede a cassação de Ganem por suspeita de fraude na declaração de domicílio eleitoral e uso irregular de assessores.

Nova denúncia e suspeitas

Segundo a representação, protocolada na última sexta-feira (10) por Daniela Conceição de Sousa, o vereador teria transferido o domicílio eleitoral para Belo Horizonte em fevereiro de 2024 com base em informações falsas. A mulher também acusa Ganem de desvio de finalidade de recursos públicos por meio da contratação de assessores baseados em São Paulo.

A legislação prevê que a denúncia seja lida integralmente em Plenário. Depois, os parlamentares devem votar se recebem ou rejeitam o material. Caso a denúncia seja aceita, uma comissão processante será constituída ainda nesta terça-feira, com o sorteio de três parlamentares. O prazo para a conclusão dos trabalhos de instrução, defesa e julgamento é de até 90 dias.

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O g1 entrou em contato com Lucas Ganem, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Processo anterior foi arquivado

Em dezembro de 2025, um processo de cassação do mandato de Lucas Ganem foi aberto pela Câmara Municipal de Belo Horizonte. A denúncia também apontava fraude na declaração de domicílio eleitoral. A comissão processante aprovou um relatório final que recomendava a cassação, e o julgamento seria realizado pelo Plenário da Casa no dia 29 de junho. No entanto, a Justiça suspendeu o processo e impediu a realização da reunião até o julgamento definitivo do mandado de segurança apresentado pela defesa do vereador.

No dia 9 de julho, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou, em decisão definitiva, o arquivamento do processo de cassação. A Corte manteve o entendimento de que o prazo legal de 90 dias para conclusão do procedimento foi ultrapassado. No dia seguinte, a Câmara Municipal arquivou o procedimento.

Relembre o caso

Lucas Ganem também foi alvo de um inquérito da Polícia Federal. As investigações, acolhidas pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), apontaram que o parlamentar transferiu o domicílio eleitoral de São Paulo para Belo Horizonte em fevereiro de 2024 mediante declaração considerada falsa. Segundo o MPE, ele não morava no endereço informado à Justiça Eleitoral durante o período da candidatura e só teria se mudado para a capital mineira após ser eleito.

Também foi apontado que, durante a campanha eleitoral, o vereador mantinha vínculo empregatício formal como gerente de uma empresa em Curitiba (PR). O Ministério Público pediu a perda do cargo, a suspensão dos direitos políticos de Ganem por dez anos e a condenação ao pagamento de R$ 1,5 milhão por danos morais coletivos.

Em dezembro de 2025, a Justiça Eleitoral determinou a cassação do mandato do parlamentar, em decisão de primeira instância. Ele permanece no cargo até o trânsito em julgado, quando não há mais possibilidade de recorrer.

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