PF revela negociação de fuzis a R$ 150 mil entre fornecedor e Comando Vermelho
Negociação de fuzis a R$ 150 mil entre fornecedor e CV

A Polícia Federal (PF) divulgou detalhes de uma investigação que revela como Arnaldo Ribeiro, apontado como fornecedor de armas do Comando Vermelho (CV), negociava fuzis com integrantes da facção criminosa. As conversas, interceptadas com autorização judicial, mostram tratativas diretas com chefes do CV, incluindo o criminoso Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca. Em um dos vídeos apreendidos, é possível ver mais de 20 fuzis enfileirados, gravados pelo próprio Arnaldo.

Negociação de R$ 150 mil por fuzil

Os diálogos revelam que a negociação envolvia valores altos, com pagamento por transferências bancárias. Em um áudio atribuído a Doca, o criminoso cobra detalhes sobre a forma de pagamento: “Depois tu fala aí, cadê a conta, tu mandou, pô?”. Outro trecho, segundo a investigação, traz a voz de Rosemberg Gomes, o Berg, apontado como tesoureiro da facção. Ele faz referência a um pagamento inicial e questiona: “Só vou pedir pra tu marcar um dez porque os meninos tá tudo lá no Complexo… 150 direto no PIX?”. De acordo com a PF, o valor de R$ 150 mil seria uma entrada para a compra de um lote de armas. A investigação aponta que o CV encomendou pelo menos 10 fuzis do tipo AK-47.

Dificuldades no pagamento e comparação de armamentos

Em outra conversa, um dos envolvidos menciona dificuldades para concluir a transferência: “Só no PIX eu já tô com o limite meio comprometido hoje... vai ter problema de finalizar amanhã?”. Já em um vídeo compartilhado entre os criminosos, é feita uma comparação detalhada entre diferentes armamentos, destacando características como acabamento e acessórios. As mensagens e os registros audiovisuais foram fundamentais para comprovar a atuação do grupo e a ligação direta entre o fornecedor e integrantes da cúpula da facção.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Movimentação financeira de R$ 150 milhões

A partir dessas evidências, a PF avançou na identificação dos envolvidos e realizou a operação que levou à prisão de Arnaldo Ribeiro. Ele foi capturado no início da semana em uma mansão no Suriname. Segundo os investigadores, o suspeito movimentou mais de R$ 150 milhões com o esquema ilegal de armas. A mulher dele, Denise Moura, também foi presa. De acordo com a PF, ela atuava na parte logística e financeira da organização e teria movimentado mais de R$ 26 milhões em contas bancárias.

Extradição e foragidos

O casal foi extraditado e recebeu voz de prisão ao desembarcar no Brasil, no aeroporto de Belém, no Pará. A operação também cumpriu outros mandados de prisão, incluindo contra suspeitos de participação no esquema financeiro e de intermediação da compra de armas. Apesar das ações, Doca — considerado um dos criminosos mais procurados do estado — não foi encontrado e segue foragido. Ele acumula cerca de 270 anotações criminais e mais de 30 mandados de prisão em aberto. Outras oito pessoas investigadas também continuam sendo procuradas. A TV Globo não conseguiu localizar as defesas dos citados.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar