Mulher de 37 anos é acolhida por casal após fingir ter 12 anos em Joinville
Uma mulher de 37 anos, identificada como Amanda Maria Souza de Oliveira, foi presa em flagrante na terça-feira (2) após viver por 14 meses como filha adotiva de um casal em Joinville (SC), fingindo ser uma adolescente de 12 anos. O casal que a acolheu tem idade próxima à da suspeita, entre 40 e 50 anos, e foi vítima do que o delegado Rodrigo Bueno Gusso classifica como 'sequestro emocional'. A prisão foi convertida em preventiva, e na sexta-feira (5) a Polícia Civil a indiciou por falsa identidade e estelionato.
O golpe e a descoberta
Amanda conheceu as vítimas ao procurar uma igreja, relatando ter fugido do Pará por sofrer maus-tratos. A investigação, no entanto, revelou que ela é natural do Ceará e já teria aplicado golpes semelhantes em outros estados. Além da família que a acolheu, o pastor e a comunidade também foram enganados, tendo se sensibilizado no início de 2023 para ajudar a encontrar um lugar para ela. Os nomes das vítimas foram preservados pela polícia.
Durante o período em que viveu com a família, Amanda recebeu tratamento de criança: ganhou uma festa de aniversário de 12 anos, remédios para emagrecer, um quarto decorado com temas infantis e brinquedos. 'Ela conseguiu sequestrar emocionalmente a família. Era uma família com boa situação financeira, então ela levava uma vida de adolescente muito boa. Durante o período em que estava com a família, ela não recebia dinheiro diretamente, mas tudo que havia de bom e do melhor ela recebia', afirmou o delegado.
Mentiras e comportamentos
Para sustentar o disfarce e justificar a aparência adulta, Amanda alegava falsamente ter autismo e outras condições clínicas. Dizia que os traços adultos eram resultado do uso forçado de hormônios na infância, quando teria sido abusada. Ela também adotava comportamentos infantilizados, como usar mamadeiras, chupetas e um 'cheirinho' para dormir. A polícia apurou que ela forjava crises de pânico à noite, afinava a voz e simulava carência para conseguir atenção.
A farsa só foi descoberta quando uma parente das vítimas suspeitou da mulher, pesquisou na internet e encontrou registros de golpes semelhantes. A Polícia Civil então identificou que Amanda é reincidente nesse tipo de crime.
Reincidência e investigações
Em depoimento, Amanda confessou ter aplicado o mesmo golpe em Curitiba (PR), Nova Iguaçu (RJ), além dos estados de Minas Gerais, Goiás e Ceará. Em Santa Catarina, a polícia investiga outros dois casos em Florianópolis e Chapecó. A nutricionista Renata Magalhães, vítima do mesmo golpe no Rio de Janeiro em 2023, revelou que Amanda pesquisava na internet como imitar o comportamento infantil e estudava sinais de uma adolescente autista. Ela também teria vomitado agulhas em diversas ocasiões, conforme registros de 2010.
O advogado Rafael Luiz Siewert, defensor público nomeado pela Justiça para a suspeita, informou que ela passará por exames de sanidade mental. Amanda completa 38 anos na quarta-feira (10).



