Motociclista diz que Joice caiu da garupa 'sem explicação' em Varginha
Motociclista diz que Joice caiu 'sem explicação' em Varginha

O motociclista Richard Ferreira Tristão, de 30 anos, preso suspeito da morte da jovem Joice Batiston em Varginha (MG), apresentou à Polícia Civil uma versão em que afirma que a passageira caiu da moto durante a corrida por aplicativo, sem que ele tivesse cometido qualquer agressão. A família de Joice teve acesso ao depoimento, que detalha a versão do suspeito.

Versão do motociclista sobre a queda

Segundo o documento, Richard contou que buscou Joice no bairro Figueira, próximo ao local do acidente, para uma corrida até a zona rural. A jovem iria assistir a um jogo do Brasil pela Copa do Mundo com uma amiga. Durante o trajeto pela Avenida Perimetral, ele disse que a passageira caiu da moto "sem explicação" e que seguia em velocidade normal. Após a queda, Joice estava desacordada. O motociclista afirmou que retirou o capacete que ela usava — que segundo ele já estava fora da cabeça da vítima — e deixou o local sem acionar o socorro.

Ações após o incidente

Richard disse que foi até a casa do pai para pedir ajuda, mas não encontrou ninguém. Cerca de dez minutos depois, voltou à Avenida Perimetral e afirmou que Joice já não estava mais no local. Nesse trajeto, passou duas vezes em frente ao batalhão da Polícia Militar, no bairro Sion. O suspeito também relatou que jogou o capacete usado por Joice no mato. Durante as investigações, a polícia encontrou um celular destruído e queimado dentro de uma sacola com cimento fresco. Richard afirmou que o aparelho era dele e que o quebrou após uma briga com o pai. Uma camisa da seleção brasileira usada por ele no dia também foi apreendida.

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Negativas e justificativas

No depoimento, o motociclista negou ter feito algo contra Joice e disse que só soube da morte dela dois dias depois, na manhã de domingo (21), por volta das 9h, por meio da imprensa. Ele afirmou ainda que foi orientado por um advogado a permanecer em casa. Richard declarou que os danos encontrados na moto eram de um acidente antigo — um amassado no tanque que já existia há cerca de dois anos — e negou ter caído com o veículo no dia da ocorrência.

Detalhes do depoimento

Richard afirmou que estava próximo ao bairro Carvalhos, finalizando outra corrida pelo aplicativo antes de buscar Joice. Segundo ele, não conhecia a passageira, não conversou com ela durante o trajeto e seguiu apenas o caminho indicado pelo aplicativo. A corrida foi encerrada no aplicativo "logo quando a passageira caiu". Ele disse que, após encontrar Joice desacordada, foi até a casa do pai em busca de ajuda e gastou cerca de 10 minutos entre a ida e a volta. Não havia outras pessoas na avenida no momento. Richard pegou o capacete da passageira no local e o jogou no mato enquanto seguia para casa, na Fazenda da Barra, mas não sabe indicar exatamente onde descartou o item. Após retornar para casa, entrou em contato com um advogado e recebeu orientação para permanecer no imóvel.

Investigação e laudo pericial

De acordo com a Polícia Civil, o laudo de necropsia apontou que a causa da morte foi um traumatismo craniano provocado por ferimentos compatíveis com uma possível queda. O investigado poderá responder por homicídio, omissão de socorro e fuga do local do acidente, além de outros crimes que possam ser identificados. Durante o cumprimento do mandado de prisão temporária em 25 de junho, os policiais apreenderam a motocicleta utilizada na corrida, que apresentava avarias, além de fragmentos queimados de um aparelho celular encontrados em um saco de cimento. Os materiais foram encaminhados para perícia.

Relembre o caso

Joice Batiston foi encontrada gravemente ferida às margens da Avenida Perimetral, em Varginha, no dia 19 de junho, e morreu em decorrência dos ferimentos. A jovem havia solicitado uma corrida de moto por aplicativo para encontrar uma amiga e assistir ao jogo da seleção brasileira, pela Copa do Mundo, mas nunca chegou ao destino. Familiares e amigos realizaram uma passeata no Centro de Varginha para pedir justiça e cobrar esclarecimentos, além de reivindicar melhorias na segurança da avenida, como iluminação pública e instalação de câmeras de monitoramento.

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