João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva, apontado pela Polícia Civil e Ministério Público (MP) como suspeito de retirar a câmera que estava com Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, jovem que morreu após ser lançada sem cordas em um salto de rope jump, negou que tenha retirado o equipamento. A câmera, que ainda não foi encontrada, é considerada essencial pelos investigadores para a reconstrução do caso.
Suspeito pede ajuda para localizar câmera
A declaração de João, que está preso desde o último fim de semana, veio através de uma carta divulgada pela defesa dele à imprensa na noite desta quinta-feira (25). No relato, o suspeito pede ajuda para que o aparelho seja encontrado. "Eu venho pedir a ajuda da mídia para investigar as imagens e descobrir onde está essa câmera, pois essa câmera vai esclarecer o que houve após o salto. Peço também a ajuda de quem estava na ponte no dia pois as gravações no dia podem ajudar a esclarecer os fatos. Eu sou um pai comum que prestava serviço para complementar a renda para pagar as contas", disse.
Na carta, João descreve sua versão dos fatos: "Eu estava prestando um serviço (bico) para a empresa 'Entre Cordas' sem saber que a empresa era clandestina. Eu fiquei apenas na parte de baixo da ponte e eu apenas soltava a corda para a pessoa subir a pé. No momento do ocorrido eu estava soltando outro cliente quando ouvi o barulho e corri até a Maria Eduarda. Eu coloquei a mão no pescoço e vi que tinha batimento cardíaco e respiração então eu chamei ajuda no rádio". Ele afirma ter aberto o mosquetão sobre o peito da vítima apenas para a enfermeira fazer massagem cardíaca.
MP aponta remoção de câmera e destruição de provas
De acordo com o MP, João Antônio estava na base da ponte no momento do salto de Maria Eduarda e removeu a câmera que ela segurava. "João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva, posicionado na base da estrutura com função operacional durante o evento, detinha condições objetivas de perceber eventual irregularidade na fixação dos equipamentos da vítima e de comunicá-la à equipe no topo por meio de rádio, comunicação que, em tese, não foi realizada. Ademais, aproximou-se do corpo da vítima imediatamente após a queda e removeu a câmera GoPro que ela segurava, praticando conduta de supressão de elemento probatório central à investigação", disse o Ministério Público.
A delegada responsável pelo caso, Andréa Levy, afirmou que uma testemunha viu João retirando a câmera. "Assim que aconteceu a queda, uma testemunha teria se aproximado da beirada da ponte e visto a Maria Eduarda com a câmera na mão e, segundos depois, um indivíduo retirando a câmera dela. Contudo, quando ele [João] foi ouvido, ele menciona que ele foi apenas checar o batimento cardíaco e que ele não retirou a câmera. Mas, diante da testemunha presencial que viu ele retirando a câmera da mão da vítima, foi necessária a prisão temporária dele para averiguar os fatos", destaca Levy.
Além de João, outras duas pessoas foram presas no último fim de semana: Evelyne dos Santos Gonçalves e Gabriel Barros Martins. O MP aponta que Evelyne, organizadora do grupo 'Entre Cordas', destruiu prova digital ao excluir uma conta de rede social. Já Gabriel teria fugido do local após a tragédia sem prestar esclarecimentos.
Primeiros presos indiciados por homicídio com dolo eventual
A Polícia Civil concluiu na segunda-feira (22) o primeiro inquérito que investiga o caso e indiciou por homicídio com dolo eventual os três homens presos logo após a morte da jovem. Eles são os instrutores que aparecem em um vídeo lançando Maria Eduarda da ponte: Luis Felipe Feliciano Egoroff (32 anos), Maicon Fernandes Cintra (42 anos) e Vitor de Freitas Gonçalves (27 anos). Os três tiveram a prisão convertida em preventiva e foram transferidos do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Piracicaba (SP) para o CDP II de Guarulhos (SP) para terem a integridade física resguardada, segundo o advogado Rafael Gomes dos Santos, que representa dois dos instrutores. Na semana passada, a Justiça negou pedido de habeas corpus.
Defesas contestam enquadramento
A defesa de Luis Felipe e de Maicon Fernandes informou que não concorda com o enquadramento do caso. Segundo ela, tratava-se da prática de um grupo idôneo e que o ocorrido foi "uma fatalidade inexplicável". "Para a defesa é homicídio culposo. Eles jamais tiveram a intenção ou sequer correram o risco de matar", afirma o advogado Rafael Gomes dos Santos. Já a defesa de Vitor disse que recebe com cautela a informação acerca do indiciamento e ressalta que não teve acesso à íntegra do inquérito policial nem a totalidade dos elementos de prova. "De toda forma, a defesa registra que possui relevantes divergências técnicas em relação à capitulação atribuída ao caso, especialmente no que se refere à caracterização do dolo eventual, questão que será enfrentada oportunamente pelas vias processuais adequadas", citam os advogados Jader Santos e Olga Popoviche.
A defesa de João disse que ele não participou da execução do salto e que prestou auxílio imediato à vítima, além de ter colaborado com as autoridades. Quanto à câmera, afirmou que também tem interesse na localização do aparelho. A defesa de Eveliny citou que está confiante na inocência dela, destacou que a cliente tem colaborado desde o início com as investigações. Já a defesa de Gabriel pontuou que irá se manifestar apenas no processo.
A tragédia
Imagens gravadas por um novo ângulo mostram o momento em que Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21 anos, é lançada de uma altura de cerca de 40 metros da Ponte do Esqueleto em Limeira (SP), sem o uso de cordas de segurança durante a prática de rope jump. A jovem morreu após a queda. Poucos segundos após ser arremessada, a reação de quem acompanhava o salto muda. Nas imagens, é possível ver pessoas caminhando mais agitadas enquanto alguém diz: "Gente, a corda!". Outra voz aparece: "Não, não, para. Não, gente, para. Como assim, a corda arrebentou?". O rope jump é uma modalidade que usa cordas estáticas, sem elasticidade, e após a queda faz um movimento de balanço, como um pêndulo. No bungee jump, a corda elástica faz a pessoa quicar.



