Integrante admite que morte em rope jump poderia ter sido evitada
Morte em rope jump: integrante admite falha na checagem

Em entrevista exclusiva à EPTV, afiliada da TV Globo, Gusttavo Losi, integrante do grupo que lançou Maria Eduarda Rodrigues de Freitas sem cordas durante um salto de rope jump no dia 13 de junho, reconheceu que a morte da jovem poderia ter sido evitada caso houvesse checagem nos equipamentos de segurança. A vítima, de 21 anos, foi lançada da Ponte do Esqueleto, entre Limeira (SP) e Cordeirópolis (SP), e caiu de uma altura de aproximadamente 40 metros.

Declarações do integrante

Losi, que chegou a ser levado à delegacia e prestou depoimento, encontra-se em liberdade. A polícia afirmou que ele não foi preso por não ser responsável direto pela queda. Outros seis integrantes do grupo estão presos. Em suas palavras: "Sim [a morte podia ter sido evitada]. Faltou checagem. É triste. Só levantaram ela e fizeram o salto. Se tivesse tido a checagem antes, teria salvo a vida dela, como em todos os outros saltos."

Losi contou que conheceu o grupo "Entre Cordas" por redes sociais e começou a atuar como freelancer em 2025. Ele afirma que recepcionava os praticantes e fazia a equipagem inicial, colocando cadeirinha, peitoral e mosquetões, mas nega ser responsável por colocar as cordas. Sobre Maria Eduarda, ele confirmou a equipagem inicial, mas alega que outras pessoas deveriam ter colocado as cordas e feito a checagem final.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Nervosismo da vítima

Losi lembrou que a jovem estava nervosa antes do salto: "Ela estava nervosa. Como sempre conversei com as pessoas, perguntei: 'e aí, como você se chama? Está nervosa? É a primeira vez?'. Ela falou que era a primeira vez dela, que estava muito nervosa. Lembro que enquanto eu colocava o equipamento nela, falei: 'pode ficar tranquila, vai dar tudo certo, você vai gostar, querer vir mais vezes'."

Após a tragédia

O integrante relatou que já recepcionava outra pessoa para saltar quando ouviu o barulho da queda. Ele desceu com uma enfermeira e uma fisioterapeuta até o local. "A gente chegou até o corpo. Quando cheguei lá, a Maria Eduarda estava viva, estava com uma respiração muito ofegante." Ele decidiu desrosquear o mosquetão para aliviar a pressão no tórax, após autorização da enfermeira. Questionado sobre a câmera que a jovem usava para gravar o salto, Losi afirmou que não reparou, pois o foco era ajudar. O aparelho ainda não foi encontrado e é considerado essencial para a reconstrução do caso.

Após pedidos, ele subiu a ponte para organizar equipamentos antes da chegada da Polícia Militar. "Puxei os equipamentos que ficavam pendurados, era uma tenda, empurrei para o lado para poder tirar e organizar. Daí, nisso, os policiais chegaram e abordaram a gente."

Imagens que vou levar para o resto da minha vida

Losi disse sentir pela tragédia e reiterou que não era responsável pela checagem de segurança: "Sinto muito pelo que aconteceu. Por mais que eu não tenha tido participação direta no que houve, por mais que não fosse minha função a checagem de segurança, foi algo que mexeu comigo. São imagens que vou levar para o resto da minha vida. O que eu podia fazer, que estava no meu alcance, no meu conhecimento, eu fiz. Não fugi. Fiquei muito abalado."

Indiciados e investigações

Três instrutores presos desde o dia da tragédia foram indiciados pela Polícia Civil na última segunda-feira (22) por homicídio com dolo eventual. São eles: Luis Felipe Feliciano Egoroff (32 anos), Maicon Fernandes Cintra (42 anos) e Vitor de Freitas Gonçalves (27 anos). As investigações avançaram para um segundo inquérito, que vai apurar a conduta de João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva, Evelyne dos Santos Gonçalves e Gabriel Barros Martins, presos no último fim de semana.

Novas imagens da tragédia

Imagens gravadas por um novo ângulo mostram o momento em que Maria Eduarda é lançada sem cordas. Poucos segundos após o arremesso, a reação de quem acompanhava muda. É possível ver pessoas caminhando mais agitadas enquanto alguém diz: "Gente, a corda!". Outra voz diz: "Não, não, para. Não, gente, para. Como assim, a corda arrebentou?". O rope jump, diferentemente do bungee jump, utiliza cordas estáticas, sem elasticidade, resultando em um movimento de pêndulo.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar