Um menino de 10 anos foi resgatado na quinta-feira (9) de um apartamento no Setor Faiçalville, em Goiânia, onde estava trancado em um quarto sem água ou comida. A mãe da criança foi presa e deve ser autuada por abandono de incapaz, segundo a Polícia Civil. O pai não foi localizado.
Moradores relataram gritos de socorro
De acordo com moradores do prédio, o menino conversava com outras crianças e gritava por socorro pela janela. A vendedora Loiana Kelly Brito contou que presenciou a mãe batendo no menino e ameaçou chamar o Conselho Tutelar. "Tinha uma outra mulher que morava aqui, que disse que já tinha ligado para o Conselho Tutelar porque já havia escutado várias vezes ele gritando por socorro, sozinho da janela. Ela ajudou até ele a se alimentar, porque ele ficava aqui sozinho", declarou.
Resgate e condição de saúde
O conselheiro tutelar José Roberto usou uma escada para falar com o menino pela janela. A criança contou que a mãe saía para trabalhar à noite e o deixava trancado todos os dias. Disse que havia comido "umas bolachinhas" e pediu água. Ele usou uma sacola plástica amarrada a lençóis para pegar uma garrafa. A Polícia Militar informou que a mãe alegou que o menino era diabético e que o trancava para evitar que comesse em excesso. José Roberto confirmou que a criança é diabética e estava debilitada, com glicemia acima de 500. Foi internado na UTI do Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), sem previsão de alta.
Condições do apartamento
O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar arrombaram o apartamento. Encontraram o local sujo, com louças para lavar, roupas espalhadas, lixo e comida apodrecida. No quarto, havia um colchão no chão, alguns brinquedos e uma garrafa pet que o menino usava para fazer necessidades. O delegado Eduardo Carrara afirmou que a criança estava privada de alimentos e de local adequado para necessidades fisiológicas. "Sem falar que tinham canetas de insulina, que é muito perigoso para criança administrar sozinha", disse.
Desejo de uma vida melhor
Após o resgate, o menino disse: "Eu espero ter uma vida melhor". Ele manifestou ao Conselho Tutelar o desejo de morar com o pai. O conselheiro José informou que o órgão vai verificar essa possibilidade com o Juizado da Infância e da Juventude. O síndico do prédio, Carlos Eduardo Freitas, lamentou a situação: "À tarde, as crianças saem pra brincar e ele fica interagindo com elas. É triste, machuca a gente".



