Mãe vê filha em estrela após tragédia em rope jump
Mãe vê filha em estrela após tragédia em rope jump

A mãe da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, que morreu após ser jogada de uma altura de cerca de 40 metros sem cordas durante um salto de rope jump em Limeira (SP), usou as redes sociais para compartilhar uma homenagem à filha na noite desta terça-feira (17). Ela observou um fenômeno astronômico raro que reuniu a Lua, Vênus e outros planetas no céu.

Em uma publicação no Instagram, Valdenia Rodrigues compartilhou uma imagem do céu e descreveu o momento como um “espetáculo”, associando a cena à memória da filha. Para ela, a cena teve um significado especial e foi interpretada como uma forma simbólica de conexão com a filha.

“Hoje, o céu me presenteou com um espetáculo, me deparei com uma linda estrela. Ao olhar sua luz pude contemplar a misericórdia de Deus em minha vida. E lá estava você, minha filha. Você partiu, mas a sua luz continua viva em nossos corações”, escreveu.

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Homenagens da academia

A morte de Maria Eduarda mobilizou colegas e a academia Panobianco Silverstone, em Jandira, na Grande São Paulo, onde a jovem trabalhava. Desde sábado (13), a empresa tem publicado homenagens e mensagens de solidariedade. No próprio sábado, a academia publicou uma nota de pesar lamentando a morte da colaboradora.

“Maria Eduarda foi mais do que uma colaboradora, foi exemplo de dedicação, comprometimento, alegria e respeito. Sua presença deixou marcas positivas em todos ao seu redor e sua ausência deixará saudades eternas”, afirmou a empresa.

No domingo (14), a unidade divulgou que permaneceria fechada. “A dor da perda é profunda, mas o amor e as lembranças permanecem para sempre. Agradecemos a compreensão e o carinho de todos”, diz o comunicado.

Já nesta segunda-feira (15), a academia informou em um vídeo que cancelou a comemoração de aniversário dos dois anos da unidade. Os sorteios previstos para os alunos, porém, serão mantidos. “Hoje, nos unimos em respeito, saudade e gratidão pela história que a Duda construiu conosco”, diz a legenda da publicação.

Tragédia

Segundo a Polícia Militar, uma testemunha relatou que os funcionários da empresa responsável esqueceram de colocar o equipamento antes do salto. Em um vídeo divulgado nas redes sociais é possível ver o momento em que funcionários carregam a vítima até a plataforma. Eles a jogam e, instantes depois, é possível ouvir vozes de desespero, gritando: “a corda”, “gente, a corda”.

O rope jump é uma modalidade que usa cordas estáticas, sem elasticidade, e após a queda faz um movimento de balanço, como um pêndulo. No bungee jump, modalidade mais conhecida, a corda elástica faz a pessoa cair e quicar para cima e para baixo repetidas vezes.

A jovem caiu de uma altura de 40 metros e teve a morte constatada no local pelas equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros. Segundo a Polícia Civil, o equipamento grosso que deveria estar preso ao corpo da vítima para segurar a queda foi esquecido e ficou enrolado no chão da estrutura de salto. Uma testemunha, que saltaria logo após a jovem, relatou que os instrutores não fizeram a checagem de segurança na vez de Maria Eduarda.

Três pessoas foram detidas e três homens foram autuados em flagrante por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar: Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos; Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos; e Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos.

Manifestação da mãe

A mãe de Maria Eduarda se pronunciou nas redes sociais no domingo (14). “Minha filha amada, só hoje eu quis te abraçar mais de mil vezes. Como está me doendo sua partida. Te amo eternamente, minha princesa. E muito obrigada por fazer parte da minha vida durante esses 21 anos. Que honra foi ouvir você me chamar de mãe. Deus obrigada por esse privilégio”, escreveu Valdenia Maria Rodrigues.

Pedido de investigação

A deputada federal Erika Hilton (PSOL) protocolou nesta segunda-feira (15) um pedido à Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal para a instauração de investigação criminal contra usuários da rede social X (antigo Twitter) por publicações relacionadas à morte de Maria Eduarda. A parlamentar relembra o caso e cita que a jovem morreu após ser lançada em uma atividade de rope jump na chamada “Ponte do Esqueleto”, em Limeira, no interior de São Paulo.

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Testemunhas relataram que os responsáveis pela atividade teriam se esquecido de conectar a corda de segurança antes do salto, circunstância que está sendo investigada pelas autoridades competentes. Erika Hilton afirma que a repercussão do caso levou à publicação, no X, de comentários que, segundo ela, “não apenas ultrajam a memória da vítima, mas que expressamente incentivam, celebram ou tratam com humor e aprovação a prática de violência sexual contra seu cadáver, mediante referências à necrofilia e ao estupro da vítima falecida”.

O documento apresenta uma lista de perfis e publicações que, segundo a deputada, devem ser alvo de apuração. Ela sustenta que as condutas podem se enquadrar no crime previsto no artigo 287 do Código Penal, por supostamente incentivarem, exaltarem, naturalizarem e difundirem a violência sexual. A parlamentar também pede a apuração do crime previsto no artigo 212 do Código Penal, referente ao vilipêndio a cadáver.

Segundo o documento, as manifestações continham referências explícitas à prática de atos sexuais violentos contra o corpo da vítima e representariam ultraje à memória e à dignidade da jovem. Entre as frases postadas estão: “festa no IML”, “Vou fazer concurso para o IML”, e “a terra vai comer antes que muita gente”. A PF ainda não confirma o recebimento, no entanto o entendimento é de que seja, provavelmente, de competência estadual.