Mãe denuncia maus-tratos a filha autista em creche no DF
Mãe denuncia maus-tratos a filha autista em creche no DF

Uma mãe denunciou à polícia a suspeita de maus-tratos contra a filha de 7 anos, que é autista não verbal e tem microcefalia, em uma creche particular no Recanto das Emas, no Distrito Federal. Segundo a família, a menina começou a chegar em casa com hematomas, feridas e marcas de mordida.

Giovana Rodrigues conta que a filha mudou de comportamento assim que entrou na instituição, em outubro de 2024. "Por ser uma criança PCD, a gente achou que era ali que era um período de adaptação e que logo isso ia passar. Os primeiros sinais eram choro. Toda vez que ela chegava na frente da casa [onde é a creche], ela já se desesperava", afirmou a atendente.

Registro policial e situação da creche

O caso foi registrado na Delegacia de Polícia do Recanto das Emas como maus-tratos contra criança. A reportagem não conseguiu localizar os responsáveis pelo estabelecimento. Em nota, a Secretaria de Educação informou que a creche não é credenciada junto à pasta nem tem autorização para oferecer atendimento educacional. A secretaria declarou que vai acionar a DF Legal para tomar as devidas providências.

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Denúncias de ex-funcionários

A mãe afirma que deixou a situação passar por não ter provas suficiente. No entanto, em junho deste ano, uma funcionária da creche contou à Giovana o que acontecia no local. "Elas praticavam agressão verbal e falas preconceituosas. Quando minha filha pegava em uma delas com a mão babada – por ser PCD, ela baba muito –, elas falavam: 'sai para lá com essa sua baba sebosa'", contou Giovana.

Uma testemunha, que prefere não se identificar por medo de represálias, trabalhava na creche e diz que era impedida de dar suporte à menina. "A orientação que passavam para gente era essa, de deixar ela no canto, porque ela gostava de ficar mais quieta no canto dela. A gente nunca questionou", diz a mulher.

Outra ex-funcionária relata que havia mais problemas na creche. "Após o almoço, eles eram obrigados a entrar em um quartinho bem minúsculo, várias crianças deitadas naqueles tatames, tempo quente, muito abafado lá. As crianças ficavam em grito, em desespero lá", afirmou.

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