Torcedores de Caprichoso e Garantido formam filas gigantes no Festival de Parintins
Torcedores de Caprichoso e Garantido na fila do Festival de Parintins

A rivalidade entre azul e vermelho no Festival de Parintins começa muito antes do primeiro toque do tambor na arena. Nesta sexta-feira (26), os arredores do Bumbódromo amanheceram tomados por filas formadas pelas 'galeras' — nome dado às torcidas oficiais dos bois Caprichoso e Garantido. Para garantir o melhor lugar e a visão perfeita do espetáculo, os torcedores montam uma verdadeira operação de guerra que envolve dezenas de pessoas. Mesmo com a orientação de que o acesso só seria permitido a partir das 8h, muitos fãs chegaram horas antes e montaram estratégias para assegurar posição privilegiada.

Maior espetáculo folclórico a céu aberto do mundo

Considerado o maior espetáculo folclórico a céu aberto do mundo, o festival reúne milhares de turistas todos os anos e chega à sua 59ª edição após mais de cinco décadas de história. As apresentações começam às 20h (21h no horário de Brasília) e têm duração de até duas horas e meia, sendo avaliadas por um júri especializado em 21 quesitos.

Galera encarnada: dedicação e revezamento

Para a 'galera', a jornada é cansativa, mas indispensável. É o caso de Anne Canézis, integrante da galera do Boi Garantido, que relata estar na disputa por um espaço desde o início da semana. "A gente chegou aqui dia 13, depois da festa do Garantido que teve a saída tradicional do Dia dos Namorados. Desde aí a gente está aqui, revezando num grupo de 40 pessoas", explicou Anne. Para enfrentar o calor e o desgaste físico, os torcedores montaram escalas rígidas e chegaram a acampar em praças e ruas próximas, como a Rua Ingá, até a abertura dos portões. "A gente trabalhou num projeto de revezamento. Eram quatro turnos: de manhã, de tarde, de noite e de madrugada. Ficavam seis pessoas em cada turno, sucessivamente", revelou a torcedora. Antes da abertura oficial dos portões na área interna, muitos grupos chegam a passar dias acampados em praças e ruas adjacentes, como a Rua Ingá, aguardando a liberação dos gradis de isolamento.

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Nação azulada: tradição e expectativa

Do lado do Caprichoso, a cena se repete. Frank Siqueira, morador de Parintins, chegou com o grupo às 5h da manhã desta sexta-feira (26). Ele conta que alguns torcedores já estavam na fila há dias e relata que o cansaço acumulado faz parte do ritual anual de quem vive em Parintins. "O nosso grupo chegou aqui por volta das 5 horas da manhã, mas já tem gente revezando há alguns dias na fila. Somos daqui de Parintins e todo ano a gente vem", contou Frank, que também faz parte de um grupo de cerca de 40 pessoas focado em garantir a "ponta" da fila. Para ele, o esforço vale a pena. "A expectativa está alta, como sempre, para ver o Caprichoso. O boi está lindo e é só esperar", afirmou.

Dedicação inabalável

Do outro lado do Bumbódromo, a dedicação não é diferente. Mesmo quem decide chegar no próprio dia da abertura oficial precisa madrugar para conseguir se posicionar nas primeiras colocações. A rivalidade saudável entre as torcidas movimenta a cidade e reforça a paixão dos parintinenses pelo festival, que é um dos maiores eventos culturais do Brasil.

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