Uma médica anestesista salvou a vida de um idoso de 65 anos que sofreu uma parada cardíaca enquanto caminhava no Parque da Jaqueira, na Zona Norte do Recife. O incidente ocorreu quando a profissional, Priscila Carvalho, chegou atrasada para sua corrida habitual e, na primeira volta, encontrou a vítima inconsciente após uma queda que resultou em batida na cabeça.
Reanimação cardiopulmonar por mais de dez minutos
Sem hesitar, Priscila iniciou manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) e contou com a ajuda de duas outras pessoas para revezar as compressões torácicas. "Fiquei revezando com mais duas pessoas, porque exige um esforço físico grande e a gente precisa que essas compressões torácicas sejam eficazes", explicou a médica. O procedimento continuou por mais de dez minutos até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
O momento certo no lugar certo
Priscila destacou a coincidência que a levou a estar no parque naquele horário. "Não consegui acordar para correr no horário habitual e vim correr num horário completamente fora do meu normal, um horário que eu não gosto, que é um horário de sol. Vim reclamando. Na minha primeira volta, me deparo com essa situação", relatou. Ela acrescentou: "É aquela sensação de que realmente eu tinha que estar aqui naquele momento. Deus me mandou para isso." Segundo a médica, o coração do paciente voltou a bater antes da chegada do Samu, que então utilizou um desfibrilador para estabilizá-lo.
Falta de desfibrilador no parque
O caso levantou um alerta sobre a ausência de um desfibrilador no Parque da Jaqueira, equipamento exigido por leis municipal e estadual. O parque, junto com outros três, foi concedido à iniciativa privada por 30 anos pela prefeitura do Recife, sendo gerido pela empresa Viva Parques. A TV Globo apurou que o Parque Santana, também na Zona Norte, igualmente não dispunha do aparelho.
O médico intensivista Marcos Galindo ressaltou a importância das compressões torácicas rápidas, mas alertou para o risco da falta do desfibrilador. "A causa mais comum é um infarto e a morte geralmente é por arritmia cardíaca. Então, as arritmias são fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular. São arritmias que só saem, só vão se recuperar, se a gente administrar um choque", explicou.
Exigência legal
A Lei Municipal nº 17.605/2007 determina a instalação de desfibriladores em espaços públicos com circulação superior a 1,5 mil pessoas por dia. Já uma lei estadual exige o equipamento em locais com ao menos 2 mil pessoas. A concessionária Viva Parques afirmou que todos os parques possuem plano de emergência com desfibrilador, mas não explicou por que o aparelho não estava disponível durante o atendimento ao idoso. A empresa informou ainda que vigilantes prestaram auxílio à médica.



