Um major da reserva da Polícia Militar, Joel Paulo de Almeida Júnior, de 53 anos, foi preso na noite do último sábado (6) em Guarapari, no bairro Perocão. O incidente começou com uma reclamação de som alto e terminou com disparos de arma de fogo, ameaças e longas horas de negociação policial.
Início da confusão
Segundo a Polícia Militar, a confusão teve início quando uma vizinha acionou o Disque Silêncio para denunciar o volume da música em uma festa que ocorria em uma área da residência do militar, onde também funciona um bar. A moradora relatou que, após a denúncia, foi ameaçada pelo major. De acordo com ela, o homem efetuou disparos em direção à casa onde ela mora. Uma das paredes do imóvel foi atingida por um tiro.
Assustada, a mulher acionou a Polícia Militar. Ela afirmou que recebeu orientação dos policiais para se esconder dentro de casa enquanto a ocorrência era atendida. Quando as equipes chegaram ao local, encontraram os portões da residência fechados e dificuldade para contato com o morador devido à festa que acontecia no imóvel. Conforme a PM, os frequentadores foram retirados gradualmente e encaminhados para um local seguro.
Ameaças e disparos contra policiais
Ainda segundo a corporação, durante a ocorrência o major apareceu diversas vezes portando arma de fogo e usando colete balístico. A Polícia Militar informou que ele ameaçou os agentes que faziam o cerco da residência e, em determinado momento, efetuou dois disparos na direção das guarnições. A Companhia Independente de Operações Especiais e Combate ao Crime Organizado (CIOE) foi acionada para negociar a rendição do militar. Após horas de negociação, ele se entregou por volta da 1h deste domingo (7).
Apreensão de armas e munições
Durante buscas realizadas na residência, os policiais apreenderam duas pistolas. Uma arma calibre .380, com dois carregadores e 22 munições, foi encontrada dentro de uma panela de barro sobre o balcão do bar que funciona junto à casa. Outra pistola calibre 9 mm, com quatro carregadores e 34 munições, também foi apreendida. Moradores da região relataram que a rua permaneceu isolada durante grande parte da noite e que receberam orientação para permanecer dentro de casa. Alguns vizinhos afirmaram que o militar já teria se envolvido em desentendimentos anteriores no bairro.
Versão da esposa do major
Por telefone, a esposa do major, Sirlene Augustinho Cândido, contestou a versão apresentada por vizinhos e pela Polícia Militar. Segundo ela, a festa ainda não havia começado e o som estava sendo apenas testado quando ocorreu a reclamação. Sirlene também afirmou que foi retirada à força do local por policiais e acusou os agentes de invadirem a residência sem mandado judicial. Ela disse ainda que o imóvel foi revirado durante a ação policial e alegou que mensagens armazenadas em seu celular teriam sido apagadas pelos militares.
"A festa nem tinha começado. O DJ estava testando o som. Me jogaram no chão, tomaram meu telefone e entraram na minha casa. Quando voltei, tinha dezenas de policiais lá dentro e a casa toda revirada", afirmou. A mulher disse ainda que pretende procurar assistência jurídica e cobrar apuração da conduta dos policiais envolvidos na ocorrência.
Reação dos vizinhos
O marido da vizinha que denunciou o caso disse que as famílias convivem há mais de 20 anos na mesma rua e afirmou ter ficado surpreso com o comportamento do militar. Segundo ele, o casal teme retornar para casa após o ocorrido.
Desfecho
Joel Paulo de Almeida Júnior foi encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ipiranga e, posteriormente, levado para a sede do 10º Batalhão da Polícia Militar. Ele foi autuado por crime militar de ameaça e encaminhado ao Presídio Militar.



