Juiz aposentado fazia live antes de ponte desabar; ele e irmão feridos
Juiz aposentado fazia live antes de ponte desabar; feridos

Após quase duas semanas internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o juiz aposentado Edinaldo Muniz dos Santos, de 54 anos, vítima do desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, interior do Acre, será transferido para o Hospital Vila Nova Star, centro especializado em neurocirurgia de São Paulo. A transferência ocorrerá na madrugada desta quinta-feira (18), por meio de uma UTI aérea, utilizando o programa Tratamento Fora de Domicílio da Secretaria de Saúde. O juiz fazia uma transmissão ao vivo em cima da ponte no momento da queda.

Estado de saúde do juiz

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), Edinaldo sofreu traumatismo cranioencefálico grave durante o acidente. Embora tenha apresentado evolução clínica significativa desde a internação, ele ainda necessita de acompanhamento especializado para avaliação e tratamento das sequelas neurológicas decorrentes do trauma. Entre as condições observadas estão alterações motoras e episódios de lapsos de memória, que exigem monitoramento contínuo e recursos avançados de diagnóstico, tratamento e reabilitação.

Na segunda-feira (15), a pasta informou que o juiz não necessitava mais de ventilação mecânica e passou a respirar espontaneamente, sendo extubado. Apesar da evolução, ele permanece em estado grave, mas considerado estável, sob acompanhamento intensivo da equipe multiprofissional.

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Edinaldo é uma das quatro pessoas feridas no desabamento. Ele é a única vítima que continua internada. Os outros três feridos já receberam alta médica: Weverton Murieta, de 34 anos, foi o primeiro a deixar o hospital; o advogado Edinei Muniz, de 51 anos, recebeu alta na terça-feira (9); e Antônio Morais Lima Filho, de 36 anos, saiu do Pronto-Socorro de Rio Branco na quinta-feira (11), após cirurgia ortopédica e retirada de dreno torácico, retornando a Sena Madureira para recuperação em casa.

Bloqueio de bens da construtora

Na última sexta-feira (12), a Justiça do Acre determinou o bloqueio de bens da Construtora Cidade, responsável pela construção da ponte. A medida atende a uma ação cautelar antecedente com pedido de tutela de urgência apresentada pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) na Vara Cível de Sena Madureira. O objetivo é garantir recursos para reparação dos danos causados pelo desabamento. O bloqueio foi fixado em até R$ 36 milhões, valor correspondente ao custo da obra.

A decisão também manteve a suspensão de contratos e pagamentos do governo estadual à empresa, adotada desde o sábado (6). Além disso, determinou a preservação de documentos e provas relacionados à construção, incluindo projetos, relatórios de fiscalização, medições e registros técnicos. O Estado deverá apresentar, em até 15 dias, as apólices de seguro da obra e informações sobre eventual comunicação do sinistro à seguradora.

Investigações e causas do desabamento

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as causas do acidente, enquanto o MP-AC abriu procedimento e solicitou perícia ao DNIT para verificar possíveis falhas no projeto, na execução da obra ou nos materiais utilizados. A Justiça também determinou que a construtora adotasse medidas emergenciais para reduzir riscos à população, sob pena de multa diária.

A Construtora Cidade informou que havia identificado rachaduras e movimentações no solo dias antes do acidente e recomendado a interdição da ponte. Segundo a empresa, o desabamento foi provocado pelo fenômeno conhecido como "terras caídas", processo de erosão das margens dos rios comum na região amazônica.

Detalhes da ponte

A Ponte Frei Paolino Baldassari foi inaugurada em 19 de dezembro de 2023, com 232 metros de extensão. Executada pela Construtora Cidade Ltda., a obra custou mais de R$ 36 milhões. Conforme o Corpo de Bombeiros, a parte que ruiu corresponde a 60% da extensão, cerca de 139 metros.

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A Justiça estabeleceu prazo de 30 dias para a apresentação do laudo oficial sobre as causas do desabamento, além do laudo de dano ambiental elaborado pelo Instituto de Meio Ambiente do Acre. No mesmo prazo, a construtora e o Estado deverão apresentar um plano de trabalho com cronograma para retirada dos escombros e reconstrução da ponte. O governo também deverá detalhar ações emergenciais para garantir a manutenção da Estrada Mário Lobão.