Um jovem de 24 anos foi assassinado após fazer pichações em apoio à facção Primeiro Comando de Vitória (PCV) durante uma disputa territorial com o grupo rival Terceiro Comando Puro (TCP), no bairro Balneário de Carapebus, na Serra, região da Grande Vitória, Espírito Santo. A vítima foi identificada como Gustavo Emilio Ferri Adriano, conhecido como "Alemão". A Polícia Civil prendeu dois homens apontados como autores do crime, ocorrido em 20 de outubro de 2025.
Disputa territorial e violência no bairro
O Balneário de Carapebus é cenário de uma guerra entre o PCV e o TCP pelo controle do tráfico de drogas. Entre agosto e novembro de 2025, foram registrados 11 homicídios consumados e 12 tentativas de homicídio na região. Os presos são André Makalle Falcão dos Santos, vulgo "Makaully", de 27 anos, apontado como gerente do tráfico local, capturado em dezembro de 2025 durante uma operação na zona rural de Conceição da Barra; e Felipe Pereira da Silva, conhecido como "Menor FP" ou "Menor 90", de 21 anos, apontado como coautor do crime, preso em 10 de fevereiro de 2026 no Estado de São Paulo.
Recrutamento e pichação fatal
Segundo o delegado adjunto da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, Paulo Ricardo Gomes, os ataques registrados no bairro ao longo de 2025 faziam parte da tentativa do PCV de assumir o controle da região. Em resposta, integrantes do TCP iniciaram uma reação para resistir à perda de território. O delegado explicou que o bairro era considerado estratégico para o PCV. "O ataque do TCP que acontece no dia 20 de outubro era o início de um revide para oferecer uma certa resistência em relação aos ataques sucessivos que eles haviam sofrido no bairro", afirmou.
As investigações apontam que, durante essa disputa, integrantes do PCV passaram a tentar recrutar jovens e traficantes que já haviam tido ligação com o TCP. Entre os alvos desse aliciamento estava Gustavo Emilio Ferri Adriano. Segundo o delegado, a vítima havia traficado para o TCP no passado, mas não integrava mais a organização criminosa em 2025. No entanto, continuava frequentando ambientes ligados ao tráfico por ser usuário de drogas. Gustavo teria sido convidado a retornar à atividade criminosa, desta vez a serviço do PCV, aliciamento feito por Ryan Inácio Silva, apontado pela polícia como uma das lideranças da facção e preso em Governador Valadares, Minas Gerais. "E nesse recrutamento, ele acaba aceitando e passa, no dia do crime, a fazer pichações que fazem alusão ao PCV em um ponto de disputa territorial", disse o delegado Paulo Ricardo.
Flagrante e investigação
No mesmo dia do assassinato, uma equipe da Polícia Civil estava na região apurando os ataques relacionados à guerra entre facções. Durante as diligências, os investigadores flagraram homens armados circulando de motocicleta e observaram pichações recentes que faziam alusão ao PCV. Apesar das suspeitas, os policiais não conseguiram realizar a abordagem naquele momento. "A gente teve contato com as latas de tinta e viu as inscrições recém-feitas nos muros. Como não conseguimos abordar os suspeitos, retornamos para a delegacia. Quando chegamos, tivemos a notícia do homicídio do Gustavo", relatou o delegado.
Prisões e denúncia
A partir do crime, a DHPP da Serra intensificou as investigações e identificou os suspeitos. André Makalle foi localizado e preso em dezembro, durante uma operação realizada na zona rural de Conceição da Barra, após trabalho contínuo de inteligência. Felipe Pereira foi preso em São Paulo em fevereiro. Ambos foram denunciados por homicídio qualificado, por motivo torpe e por recurso que dificultou a defesa da vítima.



